Tal como prometido, ontem a Nikola abriu o período de pré-reservas da Badger, uma pick-up eléctrica que pretende rivalizar com a Tesla Cybertruck, diferenciando-se por apostar nas células de combustível a hidrogénio, com ganhos em termos de tempo de abastecimento, peso e autonomia. Tanto assim é que a pick-up norte-americana vai apresentar-se numa versão puramente eléctrica, que promete uma autonomia de 483 km e que será a primeira a ser lançada no mercado, mas depois vai chegar uma versão movida a fuel cell, com um alcance de 966 km.

Estas promessas, a somar à possibilidade de posteriormente estender o alcance da variante a bateria com o recurso ao hidrogénio, suscitaram grande interesse junto de potenciais clientes. Isso e as alegadas especificações da Badger:  919 cv e 1329 Nm. Sucede que a marca voltou a surpreender os interessados em encomendar a pick-up norte-americana ao exigir-lhes 5000 dólares para fazerem a pré-reserva. Ou seja, cinco vezes mais do que aquilo que a Tesla definiu para “apalavrar” uma Cybertruck, com a diferença que a pick-up de Palo Alto só abriu as pré-reservas depois de surgir aos olhos do público, ainda que em protótipo e com algum desaire pelo meio (como vidros inquebráveis que estilhaçaram).

Já da parte da Nikola, até agora, não há nada para ver. Excepto imagens digitais, coloridas com diversas promessas e algumas farpas à Tesla – a começar pelo design da Cybertruck. Em concreto, o fabricante liderado por Trevor Milton prometeu que iria exibir a Badger na próxima edição do Nicola Word e que essa unidade nada terá de showcar. O problema é que será preciso esperar muito tempo até ter algo que se veja, na medida em que o referido evento está agendado para Dezembro. São cinco meses de espera para ver o que hoje implica um movimento de 5000 dólares, baseado quase num acto de fé, pois os planos de produção da Badger também são desconhecidos. E a Nikola não possui fábrica própria.

No Twitter, Trevor Milton lá vai insistindo que o melhor é reservar a pick-up antes que esgote, mas até nesta nova realidade da mobilidade eléctrica é estranho pagar sem sequer ver um protótipo, como aponta a Bloomberg. Eventualmente, a garantia de que os depósitos são reembolsáveis justificará uma confiança cega num veículo que, segundo o próprio fundador da marca, não será entregue antes de 2022.