A vacina contra a Covid-19 que está a ser desenvolvida pela Universidade de Oxford pode vir a ser eficaz durante “vários anos”, revelou Sarah Gilbert, investigadora que lidera a equipa britânica, ao Comité de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Comuns no Reino Unido. Segundo o espanhol ABC a investigadora também confirmou que os testes realizados até agora estão a apresentar resultados “promissores”, já que se está a observar uma “resposta imune correta”.

Na mesma intervenção, Sarah Gilbert explicou que a vacina em questão será capaz de fornecer “melhor proteção do que a imunidade natural” que qualquer paciente recuperado de covid-19 possa desenvolver. Mesmo assim ressalvou que ainda não é possível dar uma data específica para a conclusão dos estudos e consequente fim do processo de desenvolvimento da vacina.

O Governo britânico está otimista, mesmo assim, e indica que provavelmente em setembro ou outubro já será possível iniciar a produção da vacina. Fontes da Universidade de Oxford citadas pela imprensa local detalham que é pouco provável que o medicamento esteja disponível antes do inverno, quando outro pico da epidemia poderá ocorrer — fase considerada muito crítica já que coincide com a temporada de gripe e isso, dizem os especialistas, poderá levar a uma saturarção dos serviços de saúde.

Um desses especialistas é John Bell, professor de medicina da Universidade de Oxford, que disse ao mesmo comité que é importante estar-se preparado para o pior. “Toda a epidemia foi demasiado baseada em suposições que se revelaram falsas. Portanto, o meu melhor conselho é estar preparado para o pior”, alertou. Ressalvou ainda que é importante que as pessoas tomem uma vacina contra a gripe para evitar que o “pandemónio” se instale nos hospitais. “Acho que uma das coisas que preocupa os médicos nos hospitais é que a temporada de gripe seja bastante significativa”, disse. “Se isso acontecer teremos um grande problema”, rematou.

A vacina Oxford entrou na fase três dos ensaios clínicos, a última etapa antes da comercialização, e envolve 8 mil pessoas do Reino Unido. Em breve começará a injetar 4 mil pessoas no Brasil e duas mil na África do Sul. A vacina de Oxford, que é desenvolvida em parceria com a empresa farmacêutica AstraZeneca, é considerada pela Organização Mundial da Saúde como uma das mais fortes candidatas ao sucesso de entre as 149 que estão a ser desenvolvidas um pouco por todo o mundo.