A secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, condenou esta terça-feira as empresas que se estão a aproveitar dos efeitos da pandemia para cortar empregos, como a Super Bock, ou retirar direitos aos trabalhadores, como a Dat-Schaub.

Isabel Camarinha esteve esta terça-feira em Vila Nova de Gaia, num plenário de trabalhadores da empresa Dat-Schaub, da indústria alimentar, e em Matosinhos, numa reunião com os representantes dos trabalhadores da Super Bock.

É inaceitável que as empresas se estejam a aproveitar vergonhosamente da pandemia para retirar direitos ou despedir, mas os trabalhadores estão mobilizados e vão reagir”, disse à agência Lusa a secretária-geral da CGTP, após os encontros.

Segundo a sindicalista, a empresa de tripas para enchidos Dat-Schaub, com cerca de 400 trabalhadores, maioritariamente mulheres, “está a tentar alterar abusivamente o horário de trabalho, reduzindo a hora de almoço de uma hora para 30 minutos”.

Isabel Camarinha afirmou que a Dat-Schaub está a tentar coagir os trabalhadores a aceitar, alegando que a redução da hora de almoço tem a ver com a necessidade de desencontrar as pessoas por questões de segurança sanitária.

Mas isto não é verdade, porque os trabalhadores já almoçam desencontrados, e tendo em conta que o trabalho nesta fábrica é muito penoso, a hora da refeição é uma oportunidade para descansar”, salientou.

De acordo com a líder da CGTP, os trabalhadores estão a ser ameaçados com a antecipação da entrada ao serviço caso não aceitem reduzir a pausa do almoço.

Os representantes sindicais destes trabalhadores vão reunir-se com a administração da empresa e “transmitir-lhe o descontentamento do pessoal e exigir que a redução da hora de almoço só seja aplicada a quem a aceitar de livre vontade, sem quaisquer pressões”.

Na Super Bock, a sindicalista tomou conhecimento de que a empresa, com 800 trabalhadores, de um total de 1.300 no grupo, pretende reduzir os custos salariais em 10% e, por isso, está a propor rescisões por mútuo acordo.

É inadmissível este despedimento, que pode ir até aos 130 trabalhadores, numa empresa que no ano passado teve elevados lucros e este ano distribuiu dividendos”, considerou a secretária-geral da CGTP.

Para Isabel Camarinha, a empresa não pode justificar-se com a crise, pois “tem muito trabalho, recorrendo a trabalhadores temporários e a trabalho extraordinário”.

Os representantes destes trabalhadores vão promover um plenário, para que os trabalhadores decidam as formas de luta a desencadear para contestar a decisão da empresa.