Em Paris, foi a precisamente a mais ortodoxa das linguagens da moda a primeira a mergulhar por inteiro numa nova realidade e a ter de reinventar-se. Confinada pelo vírus e pelas medidas de segurança que procuram mitigá-lo, a alta-costura não saiu de cena, apenas se moldou às circunstâncias e trocou os desfiles apoteóticos, repletos de assistência, por novos palcos para apresentar a mais nobre das artes de atelier.

Durante os últimos dias, nomes sólidos como a Chanel, a Christian Dior e a Schiaparelli escreveram um novo capítulo nos seus anais — ambos fundidos naquela que é a história da alta-costura parisiense. Outros surpreenderam ao apresentar as coleções para o próximo outono-inverno em curtas-metragens — com drama, fantasia e convidados especiais à mistura.

Sempre com um pé na passerelle, a performance artística voltou como palco para a moda e foi uma útil ferramenta para a marca italiana Aelis. A produção pouco inventiva assinada pela Chanel ganhou uma simplicidade e uma sobriedade próprias. Também Giambattista Valli seguiu a fórmula da última estação, mas agora com Joan Smalls no papel de musa.

Outros criadores resistiram ao apelo das novas plataformas e agarraram-se a formatos (mais ou menos) convencionais de desfile. A Balmain percorreu o Sena com a nova coleção de alta-costura, mantendo o público nas margens do rio, ou seja, à distância. Nomes como Stéphane Rolland, Georges Hobeika e Alexis Mabille fizeram as manequins desfilar em tempos de pandemia. Bouchra Jarrar, outro nome da moda francesa, limitou-se a requisitar duas modelos e a filmar um pequeno vídeo intimista no próprio apartamento e num parque.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.