A notícia caiu como uma bomba mas a montanha acabou por parir um rato em menos de seis meses: afinal, o Manchester City vai poder participar nas provas europeias da próxima época, de acordo com a decisão do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) que anulou o castigo que tinha sido aplicado pela UEFA em fevereiro.

Duas épocas fora da Europa e 30 milhões de multa: o que fez o City para uma sanção tão pesada da UEFA?

Em comunicado, o órgão que tutela o futebol europeu tinha explicado as razões do castigo, aplicado por “violações graves dos Regulamentos de Licenciamento de Clubes e Fair Play Financeiro da UEFA, inflacionando a receita de patrocínio nas suas contas e nas informações de equilíbrio financeiro enviadas à UEFA entre 2012 e 2016 (…) e não cooperando na investigação do caso”. “A Câmara Adjudicatória impôs medidas disciplinares ao Manchester City, determinando que o mesmo seja excluído da participação nas competições da UEFA nas próximas duas temporadas (ou seja, nas temporadas 2020/21 e 2021/22) e pagará uma multa de €30 milhões”, destacou.

“A decisão da Câmara Adjudicatória está sujeita a recurso ao Tribunal Arbitral do Desporto. Se o Manchester City exercer esse direito, a decisão completamente fundamentada da Câmara Adjudicatória não será publicada antes da publicação da decisão final pelo CAS. Conforme observado pela Câmara Adjudicatória, o clube tem o direito de apelar desta decisão ao Tribunal Arbitral do Desporto. Por conseguinte, a UEFA não vai comentar mais sobre esta decisão nesta fase”, acrescentou ainda o órgão em fevereiro, a propósito da decisão tomada pela Câmara Adjudicatória do Comité de Controlo Financeiro de Clubes que é liderada José da Cunha Rodrigues, antigo Procurador-geral da República entre 1984 e 2000 entre passagens pela Comissão Europeia dos Direitos do Homem, pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, pelo Comité dos Direitos do Homem do Conselho da Europa, pelo Comité de Fiscalização do Organismo Europeu de Luta Antifraude e pelo Supremo Tribunal.

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Em resumo, e de acordo com as provas analisadas neste caso, a UEFA entendia que o clube cometera infrações graves no cumprimento do fair play financeiro entre 2012 e 2016. Como? A informação prestada ao órgão que tutela o futebol europeu e a forma como entraram receitas no City mostrariam “falta de transparência na entrada de 140 milhões de euros” nas contas que chegaram a partir de outras empresas que pertencem ao universo empresarial do dono dos citizens, o xeque Mansour Bin Zayed, num processo que teve também o “empurrão” de outro português, neste caso Rui Pinto, e dos documentos revelados através do Football Leaks.

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“A UEFA recebeu a decisão tomada pelo Tribunal Arbitral de Desporto (TAD) de reduzir a sanção imposta ao Manchester City pela Câmara Adjudicatória do Comité de Controlo Financeiro de Clubes da UEFA por alegadas violações graves dos Regulamentos de Licenciamento de Clubes e Fair Play Financeiro da UEFA. A UEFA regista que o painel do TAD considerou que as provas eram insuficientes para as conclusões retiradas sobre o caso e que muitas das alegadas violações datam de um período superior a cinco anos. Nos últimos anos, o Fair Play Financeiro teve um papel significativo na proteção dos clubes e na ajuda para que se tornem sustentáveis em termos financeiros. A UEFA e a Associação Europeia de Clubes continuarão comprometidos com esses princípios”, revelou esta segunda-feira de manhã a UEFA em comunicado, dando conta da decisão do TAD.

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De acrescentar que, com esta decisão, as contas para a qualificação europeia ficam ainda mais disputadas, tendo em conta que o Manchester City, atualmente no segundo lugar, irá mesmo ocupar uma das vagas de acesso direto à fase de grupos da Liga dos Campeões a par do Liverpool. Sobram depois lugares de acesso à Champions para o terceiro e o quarto (Chelsea, 60 pontos, e Leicester 59) e mais duas vagas na Liga Europa para o quinto e o sexto (Manchester United, 58 com menos um jogo, e Wolverhampton, 55), que podem aumentar para três mediante o resultado na Taça de Inglaterra (Sheffield United, 54). Tottenham (52), Arsenal (50 mas ainda nas meias-finais da Taça de Inglaterra) e Burnley (50) estão também na corrida aos lugares europeus de 2020/21.