A falta de enfermeiros e o subfinanciamento são dois problemas que a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados tem vindo a sofrer, denuncia a Associação Nacional dos Cuidados Continuados (ANCC), numa petição online  lançada esta terça-feira. Segundo a associação, a situação agravou-se com a pandemia Covid-19 e pode levar ao encerramento iminente de várias Unidades de Cuidados Continuados Integrados.

A ANCC sublinha que “existem UCCI a trabalhar com menos de metade dos enfermeiros necessários, pedindo aos que se mantêm em funções que façam turnos extra, o que é incomportável e causa desgaste físico e emocional dos profissionais, além de não se cumprir o Código de Trabalho em vigor”.  Lembra que “não há enfermeiros suficientes e disponíveis no mercado de trabalho”, pois muitos “emigram para trabalhar noutros países”.

No rol de questões que se prendem com o financiamento, a associação enumera o facto de “desde 2011 as diárias pagas pelo Estado às UCCI não serem actualizadas”, e “o não pagamento dos retroactivos referentes aos anos de 2017 e 2018 pelo Estado, que não cumpriu com o acordado” também não ajudou à saúde financeira da Rede. Entre os vários problemas está, por exemplo, “um aumento brutal de custos imposto pelo Governo às UCCI” bem como da TSU; dos “custos com salários por força da obrigação de contratar mais profissionais do que os anteriormente convencionados” e dos “custos gerais com medicamentos, exames e materiais clínicos (entre outros)”. Estes resultam “da desvirtuação do tipo de doentes encaminhados para as UCCI, doentes esses cuja situação clínica é mais complexa, e que não preenchem os critérios de referenciação inicialmente estabelecidos pela RNCCI”.

Se o Governo não resolver alguns destes problemas, avisa a ANCC, “seja por falta de Enfermeiros ou por falência das UCCI, tal irá originar a transferência dos doentes internados nestas Unidades para os hospitais públicos, gerando o colapso, situação que deve ser evitada e resolvida urgentemente”.

Por isso a ANCC, que quer reunir  pelo menos 4.000 assinaturas para que o assunto possa ser levado a plenário da Assembleia da República, pede que estes problemas de financiamento  sejam “resolvidos (através do aumento das diárias, pagando o ‘preço justo’)” e que se encontre “uma solução para os enfermeiros que este ano lectivo não conseguiram terminar o seu curso, de forma a que entrem rapidamente no mercado de trabalho” e/ou que se facilite “a imigração de enfermeiros de outros países” e/ou se volte ao horário de 40h na função pública).