O secretário-geral do PCP disse esta quinta-feira, em Santarém, que, no quadro atual de dificuldades que o país vive, é preciso ter uma “visão estratégica”, que aposte no investimento público e na valorização da produção nacional.

Jerónimo de Sousa visitou esta quinta-feira uma seara de tomate em Caneiras, concelho e distrito de Santarém, onde ouviu a agricultora Vera Alagoa relatar a dificuldade em suportar os custos de produção, adiantando que as preocupações com a capacidade de produção nacional foram um dos temas presentes na primeira reunião que manteve, quarta-feira, com o Primeiro-Ministro, António Costa, sobre o Orçamento do Estado (OE) para 2021.

O líder comunista afirmou que, a par de outras questões colocadas quanto ao futuro, como a valorização do trabalho e dos trabalhadores, frisou a necessidade de se proteger e incentivar a produção nacional.

Porque temos esta ideia, e dissemo-lo, de que um país que não produz é um país condenado”, declarou, sublinhando que só perante “conteúdos concretos” do Orçamento do Estado, o PCP tomará posição.

“Em relação ao plano de recuperação, por exemplo, lá na fábrica usávamos uma expressão interessante, que era ‘o papel aguenta tudo o que se queira lá pôr’. O grande problema é a materialização, a concretização, daquilo que muitas vezes fica no papel e que não passa disso”, afirmou.

Jerónimo de Sousa fez questão de “desfazer um equívoco” quanto à opção de voto no Orçamento Suplementar, frisando que não resultou de “táticas ou taticismos”, mas porque houve “um retrocesso” que condicionou o sentido de voto comunista.

A verdade é que, ao contrário de anos anteriores, e deste processo dos últimos cinco anos, verificou-se que, enquanto nesses anos houve avanços, tímidos, insuficientes, neste Orçamento Suplementar há uma diferença grande, houve recuos, andou-se para trás”, disse.

O secretário-geral comunista colocou como condição para o apoio do PCP ao próximo OE que sejam tidas como referências a valorização da produção nacional, do trabalho e dos trabalhadores, do Serviço Nacional de Saúde, de investimento publico em relação a necessidades prioritárias.

Se for possível [esse caminho], lá estará o Partido Comunista Português. Mas não podem contar com este PCP para andar para trás”, frisou.

Na visita que fez esta quinta-feira, Jerónimo de Sousa quis “dar visibilidade” a uma produção em que Portugal é excedentário, mas que, simultaneamente, “corre o risco de definhar, tendo em conta os custos insuportáveis dos fatores de produção, particularmente dos produtos fitofármacos”.

Sublinhando que as dificuldades que o setor enfrenta levam “a um sentimento de que não vale a pena produzir”, Jerónimo de Sousa fez, em particular, uma “chamada de atenção” à indústria de tomate.

Se não entenderem a importância da continuação desta produção, estão a matar a galinha dos ovos de ouro, porque, naturalmente, sem essa produção, haverá consequências na própria indústria”, advertiu.

O líder comunista inseriu esta visita na “batalha incansável” de chamar a atenção para a importância da produção nacional, na sequência da ação realizada em relação ao trigo e que, afirmou, se poderia estender a outros setores, como o leite ou a carne.

Vera Alagoa explicou como os fatores de produção levam praticamente todo o ganho da colheita, sublinhando que a solução não está nos subsídios, que acabam por premiar quem não produz, mas na existência de um “preço justo”.