A vida de Sarah Ferguson nunca foi fácil, com a crise a agravar-se nos últimos tempos, devido às perigosas ligações do ex-marido, o príncipe André, ao milionário norte-americano Jeffrey Epstein. A chegada da pandemia e o consequente distanciamento social podiam ter sido a desculpa ideal para a duquesa que ficou conhecida como Fergie resguardar-se e passar despercebida — pelo menos até ao casamento da sua filha Beatrice, que trocou alianças numa cerimónia secreta na passada sexta-feira. Mas na verdade Ferguson reinventou-se através do YouTube e a nova vida parece estar a correr bem.

Um longo trabalho do The Telegraph dá a conhecer e analisa esta nova vida da mulher que casou com o filho da rainha Isabel II em 1986 e que desde cedo se habituou a estar envolvida em polémicas. Porém, “Fergie and Friends” — o programa que criou no YouTube e que já soma 4500 subscritores e alcança mais de 16 mil pessoas — está na ordem do dia por bons motivos: apesar das figuras mais peculiares que a britânica de 60 anos aparece  a fazer, os seus seguidores parecem adorar a forma desinibida e sem pruridos com que Fergie se apresenta.

Depois de ter ajudado a organizar o casamento da filha — sem ter chegado a figurar nas fotos oficiais — Fergie surgiu online, neste seu novo recanto onde conta histórias infantis e partilha uma ou outra receita mais inusitada (sanduíches que parecem caras, com azeitonas a fazer de “olhos”, por exemplo), sacudindo uma grinalda de flores e imitando um burro, tudo em linha com a forma como conta as suas histórias — não se inibe de fazer todas as vozes dos intervenientes, imitar onomatopeias e até fazer caretas.

Rodeada de bonecos de peluche e flores, sempre sem maquilhagem e com uma roupa descontraída, Sarah Ferguson lê (ou melhor, interpreta) histórias infantis de sua autoria e de outros escritores conceituados como Julia Donaldson, Nick Butterworth e Mick Inkpen. Ocasionalmente convoca até celebridades como o ator Stephen Fry; o jogador de críquete David Gower; a viúva de Bruce Forsyth, Winnie; a ex-namorada do príncipe Harry, Cressida Bonas ou até o comediante Peter Andre para fazerem de narradores. Qual é o segredo para este sucesso e para o facto de muitos continuarem a seguir a Duquesa de York, mesmo depois de todos os escândalos e problemas? Uma amiga próxima explicou ao Telegraph a sua opinião sobre o assunto.

No seu programa ‘Fergie and Friends’, a duquesa de York conta histórias infantis e até dá receitas divertidas.

“Acontece que vaidade é coisa que não existe para a Sarah […]. Aquilo que vês é aquilo que tens. Lembro-me de que quando a conheci ela estava de jeans, t-shirt velha e chinelos”, recordou. “Algumas pessoas podem ver os vídeos e perguntar: ‘Quem diabo a aconselhou a fazer isto?’. Mesmo assim, ninguém a impede de ser ela própria”, acrescenta, acreditando que o crescente número de fãs e seguidores de Fergie se deve ao facto da duquesa ser sempre autêntica, ou “estranhamente criativa”.

Como uma espécie de fénix que se reergueu das cinzas, Fergie tem sido imparável no apoio e solidariedade que tem prestado aos mais carenciados. Pouco antes da pandemia montou a sua nova instituição de caridade, a “Sarah’s Trust”,  e quando a Covid-19 se instalou em força começou desde logo a trabalhar para ajudar hospitais, prestadores de cuidados e hospícios na linha de frente. Fergie utilizou os seus contactos para supervisionar o fornecimento de uma variedade extraordinária de mercadorias, de equipamentos de proteção individual a “scotch eggs” (iguaria britânica que consiste num ovo cozido envolto em carne picada e panado). No total distribuiu mais de 150 kits de apoio por mais de 80 instituições.

Uma outra fonte anónima do Telegraph diz que Sarah “é daquele tipo de classe alta que faz sempre a sua parte”. Ao que parece, Fergie levou a sério a ideia de que a luta contra a Covid-19 era “uma guerra” e não descansou enquanto não conseguiu fazer qualquer coisa para contribuir — não fosse ela filha de um major do exército britânico famoso pelo seu rigor e seriedade. “Foi assim que ela foi criada. Se estoirasse uma guerra ela provavelmente estaria lá a conduzir camiões ou algo do género”, acrescentou.