Já levantou voo a primeira missão da NASA, agência espacial norte-americana, cuja prioridade será encontrar sinais de que o Planeta Vermelho já foi habitado no passado. O lançamento do rover “Perseverance” e do drone “Ingenuity” — “Perseverança” e “Engenho” em português — ocorreu às 12h50 desta quinta-feira e foi transmitido em direto nos canais da NASA a partir do Cabo Canaveral, a bordo de um foguetão Atlas V. Reveja o momento aqui em baixo.

Começa aqui uma viagem épica de 483 milhões de quilómetros até Marte. Nas missões passadas ao Planeta Vermelho, os cientistas da agência espacial norte-americana determinaram que já houve condições de habitabilidade em Marte, como a existência de água em estado líquido à superfície. Agora resta saber se houve de facto vida em Marte.

Após o lançamento os dois estágios do foguetão Altas V separaram-se. O primeiro, que permite ao foguetão atravessar a atmosfera e erguer a carga até ao espaço, já foi desprezado. O segundo, chamado Centaur, levou a cápsula para a órbita terrestre durante 30 minutos, acionou os propulsores para dar velocidade à missão por oito minutos e também foi desprezado. Agora a Missão 2020 da NASA, com o Perseverance e Ingenuity a bordo, já estão por conta própria pelos próximos sete meses e tornaram-se robôs interplanetários.

Vida em Marte, do passado para o futuro

Todas as atenções estão viradas para a possibilidade de encontrar microfósseis de vida extraterrestre no passado de Marte. A missão vai aterrar em Jezero, uma cratera com 49 quilómetros de diâmetro próxima ao equador do planeta que terá estado cheia de água há cerca de 3,5 mil milhões de anos. Onde há água costuma haver vida, por isso todas as esperanças estão depositadas nesta cratera cheia de minerais de carbonita e argila que pode ter preservado até hoje moléculas orgânicas e outros rastos da existência de vida no planeta.

O rover vai recolher amostras de solo marciano em busca de compostos que possam indiciar a existência de atividade biológica no passado do planeta. Essas amostras serão recolhidas e trazidas para Terra em missões futuras organizadas em conjunto com a Agência Espacial Europeia. A primeira dessas missões de recolha de amostras para Terra deverá ser concretizada em 2026. Não será necessário esperar até ao fim da década para saber se a missão encontrou ou não bioassinaturas no solo marciano, mas a recolha permitirá estudar mais aprofundadamente essas amostras e guardá-las para que um dia possam vir a ser analisadas por instrumentos que ainda não foram sequer inventados.

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Mas há mais. A bordo do Perseverance há duas demonstrações tecnológicas que podem facilitar a concretização de uma missão tripulada ao Planeta Vermelho já na próxima década. Um deles é o MOXIE, uma caixa que transforma o dióxido de carbono da atmosfera de Marte em oxigénio. A funcionar, será essencial para abastecer os sistemas de respiração dos astronautas no planeta e criar combustível para o regresso à Terra.

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Guardado na barriga do Perseverance está ainda o drone “Ingenuity”, um paralelepípedo com um palmo de comprimento e duas hélices que deverá fazer pequenos voos de 90 segundos. Nunca antes os técnicos da NASA se atreveram a fazer voar um instrumento na atmosfera tão rarefeita de Marte — um desafio para as leis da física equivalente a levar um helicóptero para as camadas mais superiores da atmosfera da Terra. Se correr tudo bem, o Ingenuity pode ser um fiel amigo dos astronautas em Marte.

A forma como o rover Perseverance e o drone Ingenuity funcionarão foi resumida num pequeno vídeo pela agência espacial norte-americana e publicado nas redes sociais da NASA. O rover terá um braço que estica à frente do automóvel e revela uma peça que escavará uns centímetros na superfície de Marte para recolher amostras. Pode ver como tudo isto acontece aqui em baixo.

Antes de todas estas demonstrações tecnológicas, a missão a Marte da NASA terá de esperar sete meses, até fevereiro do próximo ano, para chegar ao Planeta Vermelho. A caminho já estão as missões “Hope” e “Tianwen-1”, a primeira dos Emirados Árabes Unidos e a segunda da China, que também aproveitaram a aproximação entre a Terra e Marte para se estrearem no desafiante Planeta Vermelho.

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