O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, nomeou o milionário russo Evgeny Lebedev, proprietário dos jornais Evening Standard e The Independent, bem como o seu próprio irmão, o ex-deputado conservador Jo Johnson, para lugares na Câmara dos Lordes, a câmara alta do parlamento britânico.

Segundo o jornal britânico The Guardian, o nome de Lebedev é o mais surpreendente numa lista de 36 personalidades nomeadas, que já valeu a Boris Johnson acusações de favorecer os seus aliados políticos e pessoais com uma nomeação para um cargo vitalício no parlamento. Entre os nomeados contam-se vários conselheiros de Johnson e defensores do Brexit.

Lebenev, que nasceu em Moscovo, é filho de Alexander Lebedev, um oligarca russo e antigo espião do KGB, e tem também nacionalidade britânica. O milionário tornou-se conhecido por organizar festas de luxo nas quais Boris Johnson chegou a participar — embora o primeiro-ministro britânico, quando questionado sobre isso, tenha recusado responder a perguntas sobre o que acontecia nessas festas.

Boris e Lebenev conheceram-se em 2009, quando o milionário nascido na Rússia comprou o Evening Standard, maior jornal de Londres, cidade da qual Boris Johnson era presidente de câmara.

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A decisão de Lebenev de transformar o Evening Standard num jornal gratuito distribuído nas ruas e transportes públicos deu uma grande influência à publicação e levou a uma aproximação entre o milionário e o presidente da câmara da capital britânica.

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Desde essa altura, a amizade entre Boris Johnson e Evgeny Lebedev tem sido notória. Em dezembro do ano passado, no dia seguinte à eleição que lhe deu a vitória e o confirmou como primeiro-ministro britânico, Boris Jonhson foi a uma festa privada na casa de família de Lebedev.

A nomeação surge numa altura em que a divulgação de um relatório de uma comissão parlamentar faz novamente levantar as preocupações em torno da influência russa, através dos meios de comunicação social e das relações empresariais, nos processos internos do Reino Unido, nomeadamente nos referendos à independência da Escócia em 2014 e do Brexit em 2016.