A administração do Banco de Cabo Verde (BCV) esclareceu esta segunda-feira que a venda da atual sede e mais dois edifícios na Praia será feita por mais de 3,2 milhões de euros, conforme avaliação de peritos aos imóveis.

Em nota enviada à agência Lusa, a administração do banco central explica que no relatório e contas da instituição, relativo a 2019, foi inscrito o valor líquido dos imóveis de 58.811.000 escudos (530 mil euros), como “valor de aquisição deduzido das depreciações”, e não ainda como de venda, sendo por isso um valor contabilístico.

Acrescenta que se prevê que o valor de venda seja “em torno de 363.321 milhares de escudos [3,28 milhões de euros]”, que foi, entretanto, “determinado por avaliação independente feita por peritos externos ao BCV”.

A Lusa noticiou esta segunda-feira que o BCV prevê vender até 2021 a atual sede e mais dois edifícios na Praia, ilha de Santiago, para ocupar a nova sede na capital cabo-verdiana, projetada pelo arquiteto Siza Vieira.

De acordo com o relatório e contas de 2019 do BCV, disponibilizado no final de julho e ao qual a Lusa teve esta segunda-feira acesso, a mudança para a nova sede, já concluída, deveria acontecer até ao final do primeiro semestre deste ano, processo condicionado pela pandemia de Covid-19.

O documento prevê que “num prazo máximo de um ano” serão alienados os restantes edifícios que o banco central possui na Praia, como a atual sede do BCV, no centro da capital, e os edifícios de arquivo em Ponta Belém e de armazém em Chã d’Areia.

Segundo o BCV, em nota de 14 de agosto de 2019, a Direção-Geral do Património e da Contratação Pública, em representação do Estado de Cabo Verde, “formalizou o interesse na aquisição” daqueles edifícios.

As obras do novo edifício sede do BCV, em Achada de Santo António, ao lado da Assembleia Nacional, arrancaram em agosto de 2017. Até fevereiro último já tinha custado, segundo as contas do banco central, 2.296 milhões de escudos (20,6 milhões de euros), correspondente a praticamente 95% das despesas previstas para o colocar em condições de uso.

Em fevereiro de 2019, de visita à obra, o arquiteto português Álvaro Siza Vieira mostrou-se satisfeito com a construção do edifício, em betão branco e que projetou há 20 anos, revelando que enviou a maquete para o Canadá, por estar convencido de que esta não ia avançar.

Tendo em conta o clima quente cabo-verdiano, a sua composição foi objeto de experiências, conforme revelou então o arquiteto, vencedor do Prémio Pritzker em 1992.

O projeto é exatamente o mesmo, feito há 20 anos. Houve alterações, no que se refere a infraestruturas, porque a exigência é outra quanto a segurança, controlo, informática, mas o projeto é rigorosamente o mesmo. Aguentou bem as modificações”, disse.

O relatório e contas do BCV refere que a avaliação dos gastos totais com a construção da nova sede deverá atingir os 2.429 milhões de escudos (21,8 milhões de euros) “e não se espera nenhuma derrapagem orçamental”. Ainda assim, a obra foi anunciada anteriormente para um orçamento de 16,3 milhões de euros, sendo financiada através do fundo de pensões dos colaboradores do banco central que iniciaram funções até 1993.

A nova sede será cedida ao BCV em regime de ‘leasing’ financeiro. Como contrapartida pela utilização do edifício, o BCV assumirá as prestações mensais dos beneficiários para o fundo de pensões, passando o edifício a “custo zero” para o BCV com a extinção das responsabilidades do fundo.

A nova sede do BCV já teve inauguração prevista para 27 de março, mas foi adiada ainda sem nova data devido à pandemia de Covid-19.

O edifício, cuja primeira pedra foi simbolicamente colocada em 2000 pelo entretanto falecido Presidente da República António Mascarenhas Monteiro, fica localizado no bairro mais populoso da cidade da Praia, onde se encontram também edifícios como a sede das Nações Unidas em Cabo Verde, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a Embaixada de Portugal.