O CEO da AstraZeneca, a farmacêutica britânica que está a desenvolver uma vacina para a Covid-19 em parceria com a Universidade de Oxford, disse esta quinta-feira que esta pode estar pronta até ao final deste ano, apesar de os testes clínicos terem sido suspensos esta semana depois de um dos provadores ter adoecido.

“Ainda podemos vir a ter uma vacina por volta do final deste ano ou no início do próximo”, disse Pascal Soriot numa conferência de imprensa com vários media que decorreu via Zoom.

Pascal Soriot procurou ainda relativizar a interrupção dos testes clínicos que decorriam até aqui para a vacina desenvolvida pelos cientistas de Oxford e da AstraZeneca (da qual Portugal tem já uma pré-encomenda feita, no total de 6,9 milhões de doses), ditada esta quarta-feira depois de uma voluntária a quem foi administrada a vacina ter adoecido, com uma doença inflamatória de ordem neurológica.

“É muito comum, na verdade, e muitos especialistas dirão o mesmo”, disse. “A diferença com os ensaios das outras vacinas é que o mundo inteiro não está a olhar para elas, claro. Eles param, estudam e recomeçam.”

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Testes à vacina suspensos. O que já se sabe e o que ainda falta saber

Já depois de ter sido anunciado a suspensão dos testes desta vacina, um porta-voz da Universidade de Oxford reconheceu que esta não foi a primeira vez que esses procedimentos foram interrompidos desde que iniciou a parceria com a AstraZeneca. A primeira vez em que isto aconteceu foi em julho, também por terem sido detetados sinais de doença neurológica num voluntário — e, depois de uma análise detalhada, percebeu-se que a pessoa em causa estava a ser diagnosticado com esclerose múltipla, doença em nada relacionada com o tratamento da vacina para  Covid-19.

Testes à vacina de Oxford já tinham sido suspensos uma vez, em julho, e retomados após afastada ligação com a doença