Paddy Cosgrave escreveu no Twitter, na terça-feira, que tinha 10 dias para decidir em que formato ia decorrer a edição de 2020 da Web Summit — totalmente online ou híbrido (juntando momentos offline)? A resposta chegou dois dias depois: a maior conferência de empreendedorismo e tecnologia da Europa vai decorrer exclusivamente online e espera receber cerca de 100 mil pessoas na sua plataforma.

“Lisboa continua a ser a casa da Web Summit, mas com o crescente número de casos de Covid-19 na Europa, temos de pensar no que é melhor para as pessoas em Portugal e para os nossos participantes. A resposta mais razoável e segura é fazer a Web Summit completamente online em 2020. Aguardamos por voltar a dar boas-vindas aos nossos participantes em Lisboa, em 2021”, afirma Paddy Cosgrave, em comunicado.

A decisão foi tomada tendo em conta “o interesse de saúde pública”, seguindo-se agora outras negociações “com o governo português e a cidade de Lisboa”, lê-se no comunicado enviado às redações. Vai ser a segunda vez que a empresa mãe utiliza um software próprio para montar toda uma conferência online. O primeiro evento a testá-lo foi o “Collision”, que tradicionalmente se realiza no Canadá.

No Twitter, Paddy Cosgrave escreveu esta quinta-feira que o evento vai parecer “a Eurovisão em direto de Portugal“: “Em vez de verem apenas imagens vindas de dentro do Altice Arena, as pessoas no mundo todo vão poder ver todo o Portugal, ouvir as startups de topo portuguesas e, claro, ver o Presidente da República a fechar a Web Summit”.

O líder da Web Summit acrescentou ainda que muitos dos grandes eventos do mundo foram cancelados em 2020 e que, até à data, não havia um software disponível capaz de suportar mais de 50 mil participantes. “Nós construímos esse software… E mal podemos esperar por dezembro”.

À Rádio Observador, fonte da Câmara Municipal de Lisboa disse que esta decisão foi articulada ente as duas entidades e “tomada tendo em conta o contexto de pandemia que vivemos e a sua atual evolução”.

“Prosseguimos com a estratégia de dinamização do retorno para a cidade, trabalhando na divulgação e promoção económica de Lisboa enquanto destino das escolhas de empresas e startups tecnológicas para aqui se fixarem”, acrescentou fonte do executivo camarário.

Também em entrevista à Rádio Observador, a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, diz que a decisão foi tomada a par com o Governo, “em conjunto”, e que era algo que já se esperava. No entanto, refere que o Governo tem feito “um esforço, no sentido de sensibilizar [as organizações], para que a retoma possa acontecer tendo em conta as várias limitações” provocadas pela pandemia de Covid-19.

“Tem sido com especial satisfação que temos verificado que vários eventos continuam a realizar-se, sejam eles de natureza cultural, artística, também de negócios e, para nós, é importante esse voto de confiança de todos os operadores económicos. Cá estaremos para trabalhar lado a lado para que, dentro das limitações que todos conhecemos, esses eventos poderem materializar-se num calendário próximo”, referiu.

[Ouça as declarações de Rita Marques, secretária de Estado do Turismo]

Web Summit em formato digital: “Já estávamos à espera”

Em junho, a organização da Web Summit tinha avançado que a conferência se iria realizar de 2 a 4 de dezembro e que iria contar com uma parte online e outra offline — até aqui, o evento tem decorrido na primeira semana de novembro. Numa conferência de imprensa virtual no Collision, Paddy Cosgrave acabaria por revelar que a decisão sobre se a Web Summit teria ou não público só seria tomada em outubro.

Web Summit terá público ou será só online? “É uma decisão que vamos tomar em outubro”

Na terça-feira, Paddy Cosgrave escreveu no Twitter: “A Web Summit e a cidade de Lisboa vão decidir em 10 dias qual o melhor formato para a saúde e bem-estar das pessoas de Lisboa e de Portugal. Apenas online ou híbrido (offline + online). O vosso feedback antes da decisão é bem-vindo”.

Web Summit vai decorrer exclusivamente online em 2020

A conferência terá um canal dedicado a explorar a cultura, arte, história e indústria do turismo português, para mostrar as oportunidades de investimento que existem no país. Esse canal também terá entrevistas a centenas de líderes de startups portuguesas bem como outros segmentos com universidades portuguesas e instituições de investigação.

Tendo em conta o programa Inspire, a Web Summit vai oferecer 50 mil bilhetes a estudantes universitários, membros do staff e recém licenciados interessados em trabalhar em startups portuguesas ou em lançar projetos próprios. O programa Road2WebSummit, que é uma parceria entre a Startup Portugal e a Web Summit, também vai decorrer como tem vindo a ser habitual.

Para quem vai à conferência à procura de oportunidades de negócio, a Web Summit vai tentar acomodar na sua plataforma 10 mil reuniões em videoconferência entre empresas portuguesas e investidores internacionais, bem como com jornalistas, potenciais clientes e parcerias.

Na edição deste ano, vão passar pela plataforma online da Web Summit cerca de 800 oradores, como o fundador e presidente executivo do Zoom, Eric Yuan, a comissária europeia Margrethe Vestager a estrela do “Capitão América” Chris Evans, Mike Schroepfer, responsável pela tecnologia do Facebook, entre outros. Mais de 500 empresas confirmaram que vão estar presentes online.

Dos líderes do Zoom e Xiaomi aos nomes do costume. Revelados primeiros oradores da Web Summit

A Web Summit realiza-se tradicionalmente no Parque das Nações, na FIL (Feira Internacional de Lisboa) e no Altice Arena. Este ano, o evento tinha data marcada para 2 a 5 de novembro.

Em 2018, foi assinado um contrato de 10 anos com a CML e o Governo que implica um investimento público de 110 milhões de euros ao todo, o que perfaz 11 milhões de euros por ano. Na mesma apresentação foi revelado que a FIL teria de se comprometer com obras até 2022, para duplicar a capacidade das exposições e responder às ambições de crescimento da Web Summit.