Há muitos produtos que se podem devolver ao fim de um determinado período após a compra, caso o cliente não esteja satisfeito, mas não os automóveis. Isto não acontece por má vontade dos fabricantes, mas devido à desvalorização considerável que os carros sofrem assim que são matriculados e, mais ainda, se percorrem alguns quilómetros. Contudo, para demonstrar confiança nos seus modelos, a Tesla distinguia-se por oferecer a possibilidade de aceitar a devolução do modelo e restituir o pagamento até sete dias e 1600 km, sem fazer qualquer pergunta. Agora este argumento de venda deixou de existir.

A alteração foi detectada pela imprensa norte-americana, mas não foi alvo de qualquer anúncio por parte do construtor de Palo Alto, que se limitou a anular o período experimental, que se podia consultar através do site da marca.

Quando esse período experimental foi lançado, em 2012, os automóveis eléctricos ainda eram uma coisa do outro mundo e era necessário desafiar os clientes a utilizar um Tesla para se aperceberem da rapidez, autonomia e sistemas de ajuda ao condutor. Porém, com a introdução do Model 3 e mais recentemente do Model Y, o fabricante deixou de vender 100.000 veículos por ano, apontando em 2020 para a fasquia das 500.000 unidades, ainda que para tal necessite de um 4º trimestre particularmente bom.

A Tesla nunca revelou a percentagem de clientes que devolvem os veículos após o período experimental dos sete dias, nem o “rombo” na rentabilidade da empresa que isso representa. Mas é fácil concluir que, à medida que o volume de produção aumenta, este tipo de promoção torna-se rapidamente incomportável.