O mau tempo, devido à depressão Bárbara, provocou desde o seu início até às 7h00 desta quarta-feira, 1.551 ocorrências. Só 1.016 ocorrências ocorreram entre as 00h00 e as 23h47 de terça-feira, diz a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), ouvida pela Agência Lusa, naquele que foi o pico do mau tempo. A partir desta manhã de quarta-feira as condições meteorológicas vão melhorar.

Tempestade Bárbara já provocou mais de 1.500 ocorrências: o que esperar para hoje?

A Proteção Civil registou principalmente inundações devido a precipitações intensas. Também se reportaram  quedas de árvores e de estruturas, no entanto não há registo de vítimas ou de danos significativos, avançou Paulo Santos, da ANEPC. Foram mobilizados 2.251 operacionais e 837 meios de operação, só na terça-feira.

Faro foi o distrito onde se registaram mais ocorrências, com 238. Segue-se Lisboa com 155, Setúbal com 154 e Portalegre com 108, segundo dados da proteção civil.

O Comandante da ANEPC disse ainda, esta manhã, em entrevista à Rádio Observador, que a noite desta quarta-feira foi “bastante calma”, prevendo que assim se mantenha ao longo do dia e que diminuam no número de alertas para a Proteção Civíl. “Espera-se um regresso à normalidade”, acrescentou.

À semelhança de segunda e terça-feira, não há informações sobre vítimas ou infraestruturas danificadas com severidade, acrescentou.

Por sua vez, Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) garantiu à Rádio Observador que a situação mais gravosa da depressão já passou.A meteorologista Patrícia Marques disse que não estava previsto nenhum alerta para o resto do dia, salvaguardando um aumento na intensidade dos aguaceiros já na quinta-feira.

As temperaturas já sofreram uma ligeira descida, não havendo grandes alterações até ao final da semana.

Eduardo Cabrita tinha indicado na terça-feira que o período de maior risco seria entre o meio-dia e as 18h desse dia, o que se confirmou.

O responsável pela pasta da Administração Interna adiantou ainda que esta segunda-feira foram enviados mais de sete milhões de SMS, no âmbito do mecanismo de alerta de emergência dirigida às populações. Estas mensagens foram recebidas “em todos os aparelhos que estavam durante a tarde de ontem nas regiões do país” abrangidas pelo estado de alerta vermelho emitido pelo IPMA, esta segunda-feira, para 8 distritos “fundamentalmente” do centro e sul de Portugal Continental.

Terceiro ano consecutivo com redução do número de ocorrências e de área ardida

Durante a conferência de imprensa, Eduardo Cabrita falou ainda sobre a questão do combate aos incêndios rurais, sublinhando que “pelo terceiro ano consecutivo” não houve “qualquer perda de vida civil”.

Foi também pelo terceiro ano consecutivo que se registou uma redução não só a nível do número de ocorrências, como no que toca à área ardida.

Registamos o terceiro ano consecutivo em que as ocorrências estão cerca de 50% abaixo da média da última década”, afirmou o ministro da Administração Interna, acrescentando que até hoje, registou-se cerca de 66 mil e 500 hectares de área ardida, ou seja, menos 51% do que a média dos últimos dez anos.

De acordo com Eduardo Cabrita, 2020 foi “novamente um ano meteorologicamente muito adverso”, indicando que no mês de julho registaram-se as temperaturas mais elevadas verificadas em Portugal desde 1930.

“Durante a primeira quinzena de setembro tivemos fenómenos de elevado risco, com alguma similitude com os que encontrámos há três anos no fim de semana de 15 e 16 de outubro.”

(Artigo atualizado às 8h55 do dia 21 de outubro com a informação sobre a noite)