O FC Porto inicia esta quarta-feira a 24.ª participação na Liga dos Campeões (valor apenas superado por Barcelona e Real Madrid) e, na antecâmara do encontro frente ao Manchester City em Inglaterra, Pinto da Costa relativizou os dois últimos resultados na Primeira Liga. “Sinto-os com confiança e com muita vontade. É difícil entrosar a equipa quando não há tempo para treinar, porque com o atraso dos campeonatos e da Champions estamos a jogar à quarta e ao sábado. É um momento difícil sobretudo com jogadores novos, para equipas que tiveram muitas entradas, mas tenho confiança de que vamos estar à altura de todas as limitações e dificuldades e vamos corresponder ao nível que o FC Porto habituou toda a gente”, comentou esta noite, em entrevista ao Porto Canal.

FC Porto no grupo de City, Olympiacos e Marselha de Villas-Boas na Champions, Ronaldo defronta Messi e Félix tem pela frente campeão europeu

“O FC Porto tem um historial fantástico na Champions. Estamos nos quatro grandes que têm mais participações na prova. Barcelona e Real Madrid têm 25, FC Porto e Bayern têm 24. É um prazer ombrear com esses clubes mas o passado faz parte da história, estamos aqui no presente para construir o futuro. Vamos tentar um resultado positivo, se possível a vitória”, referiu ainda o líder portista, antes de colocar o Manchester City como um dos favoritos “mas não o grande favorito”: “Há equipas com mais possibilidades. Nós não somos favoritos mas também nunca fomos em nenhuma prova internacional e ganhámos sete. O favoritismo não é o que nos leva a vencer provas. Em campo são 11 contra 11 e sabemos ultrapassar todas as dificuldades. Será muito importante que amanhã [quarta-feira] seja uma noite dessas, que possamos contrariar o favoritismo do Manchester City”.

Em paralelo, e comentando o resto da atualidade, o presidente dos azuis e brancos falou do recente episódio que foi contado por Luís Filipe Vieira, homólogo do Benfica, a propósito da escolha de Luís Duque e Pedro Proença para a Liga dos Clubes, e da intervenção após o clássico de Frederico Varandas, presidente do Sporting.

“Achei interessante a entrevista ter sido feita num programa de debate com um moderador e três representantes, um de cada cube. E curiosamente apareceu o Luís Filipe Vieira como entrevistado num programa que não tem entrevistas. Nem a BTV teve lata de levar o Luís Filipe Vieira a dar uma entrevista, senão teria de levar os outros candidatos… Mas não me compete discutir as eleições do Benfica. Ao contrário do presidente do Benfica, que foi sócio do FC Porto durante 25 anos, eu nunca tive nada a ver com o Benfica”, apontou, prosseguindo: “Houve uma preferência nitidamente por um candidato, já para não falar no teor da entrevista. Mas em relação ao que disse sobre o nosso corte de relações, faltou à verdade e só não digo que mentiu porque pode estar com lapsos de memória, porque está a atravessar um período complicado”.

Vieira fala da operação Lex, dos emails e do passado na Luz: “Acho que o Benfica foi refundado. Se não aparecesse, não havia nada”

“Aquela reunião que tivemos, e que ele mencionou, era eu, o presidente do Benfica, o presidente do Sporting, o do Sp. Braga, o do V. Guimarães e o Antero. Foi na Quinta das Lágrimas, em Coimbra. Propício para quem quisesse chorar. Perfeito com Luís Filipe Vieira presente. Foi verdade que se falou num candidato para a Liga, que estava caótica, fruto da gestão de Mário Figueiredo, apoiado pelo Benfica. Todos verificámos que era preciso mudar. Aparece o nome do Luís Duque, que entretanto fala com Vieira por telefone e depois Vieira passa-me o telefone. A partir daí não há traição porque o Luís Duque foi eleito presidente da Liga. No final desse mandato havia vários candidatos e é quando aparece a candidatura do Pedro Proença. A tal reunião existiu, não foi secreta, nada havia a esconder. Foi escolhido o eleito, o Luís Duque cumpriu o mandato, só depois apareceu o Pedro Proença. Não podia nunca ter cortado relações por um facto que não aconteceu. Quando vou para a Quinta das Lágrimas, há muito que as nossas relações estavam cortadas”, acrescentou sobre essa fase da Liga, em 2015.

Varandas vai pela primeira vez à sala de imprensa criticar arbitragens e poderes instalados: “Se tivermos de gritar, gritamos bem alto”

“Temos de olhar para as pessoas conforme o momento que estão a viver e compreender também o seu passado no próprio clube. Olhe, a invasão de Alcochete, que é um dia negro no futebol português, mas só teve um beneficiado: o atual presidente do Sporting. Era o médico da equipa, esteve na final da Taça de Portugal perdida com o Desp. Aves e depois apareceu como candidato, fazendo um ataque à Juve Leo. Em qualquer claque do mundo há gente má e gente de bem, como entre as pessoas que foram a Alcochete também havia. Acho incrível fazer das claques um inimigo quando muitas vezes são elas que empurram as equipas para as vitórias. Portanto, ele tem que mostrar que está ativo, que é um defensor dos sócios, mas já ninguém vai nisso. No dia em que Frederico Varandas se dedicar à medicina, presta um grande serviço ao Sporting”, frisou, a propósito das palavras do presidente verde e branco, que falou em vassalagem pelos poderes instalados no futebol nacional.