O Presidente argentino anunciou esta sexta-feira uma nova extensão, sem modificações, da quarentena, até pelo menos 8 de novembro, totalizando 233 dias de um regime que, mesmo sob fortes restrições, deixa o país entre os piores no ranking global.

“Vamos continuar por mais 14 dias como estamos hoje”, anunciou o Presidente Alberto Fernández, pela primeira vez fora de Buenos Aires, a partir da província de Misiones, limite da fronteira com o Brasil e com o Paraguai.

O vírus agora avança pelo interior do país, especialmente por oito províncias, responsáveis por 55% dos cerca de 15 mil contágios diários: Santa Fé, Córdoba, São Luis, Mendoza, Neuquén, Rio Negro e Tucumán. Ao contrário do interior, na área metropolitana de Buenos Aires que inclui a capital argentina mais 13 municípios ao redor da cidade, a curva de contágio tem diminuído nas últimas duas semanas, embora ainda seja considerável.

“Vamos ver os frutos que deram os 14 dias em que declaramos o último isolamento sanitário. Por esse motivo, vamos continuar nas mesmas condições que estamos esta sexta-feira. Apesar da baixa na área metropolitana de Buenos Aires, ainda não podemos dizer que estamos tranquilos porque há um número de contágios significativo”, apontou.

Apesar da mais prolongada quarentena do mundo, a Argentina tem escalado posições nos piores rankings globais. O país ocupa o sétimo lugar no ranking de contágios, mesmo quando é um dos que menos testes faz. Durante a última semana, chegou a ocupar a quinta posição. Se observadas apenas as últimas cinco semanas, a Argentina é o país com mais mortos diários. São 08 por milhão de habitantes, segundo dados dos Centros de Controlo Epidemiológico Europeus.

“Vemos que, no interior do país, o vírus está disseminado para além das cidades. Está também nos pequenos povoados”, indicou o Presidente, como argumento para a saturação de hospitais das cidades do interior.

“Além dos contágios, em muitos lugares dessas províncias, notamos um stresse no atendimento médico. Hospitais que se saturam, pessoal de saúde que se cansa. Há lugares específicos em toda as províncias em que o nível de saturação está num ponto limite”, admitiu Alberto Fernández, explicando que a saturação nesses hospitais acontece porque “atendem todos os povoados próximos”.

Sondagens indicam que a maioria dos argentinos é contra a continuidade da quarentena após 217 dias de estritas restrições. Segundo a consultora Giacobbe, por exemplo, 58,2% dos argentinos são contra uma nova extensão. O número tem crescido a cada 14 dias. Na sondagem anterior, eram 55%.

“Longe estamos de querer cortar direitos e liberdades. Só procuramos preservar a saúde de todos nós”, argumentou o Presidente, prometendo “pouco a pouco”, vão abrir as atividades “porque a economia também precisa”, mas indicando também que o país “longe está de ter resolvido este problema”.

“Peço a todos que não se deixem enganar. Entendamos a gravidade da situação”, pediu. No sentido contrário aos anúncios do Presidente, o governador do Distrito Federal, Horario Larreta, anunciou novas flexibilizações na capital do país.

Bares, restaurantes e ginásios poderão ocupar 25% das suas capacidades máximas internas, dependendo da ventilação. Até agora, só podiam usar espaços ao ar livre. Museus poderão abrir com reserva prévia, assim como piscinas ao ar livre poderão funcionar com quantidades limitadas e sem vestiários.

Depois de sete meses, os casamentos civis serão permitidos com um máximo de 20 pessoas, pacientes poderão voltar ao tratamento de reabilitação e crianças do pré-escolar poderão ter atividades pedagógicas e recreativas ao ar livre.