O presidente Câmara de Gondomar, que também lidera a Comissão Distrital da Proteção Civil do Porto, afirmou esta quarta-feira à rádio Observador ser “consensual” entre os autarcas do Grande Porto a imposição do recolher obrigatório naquela zona do país para travar o aumento de infeções pelo novo coronavírus.

A conclusão saiu de uma reunião entre os autarcas da Área Metropolitana do Porto e já foi comunicada ao Governo, uma vez que uma medida destas só poderia ser aplicada durante um estado de emergência e não de contingência, que é aquele em que nos encontramos.

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A reunião surgiu na sequência do aumento de casos no Grande Porto e entre outras medidas que os autarcas estão a testar para manter o equilíbrio entre a economia e os casos de infeção. Ainda na noite de terça-feira, por exemplo, a Câmara de Matosinhos emitiu um comunicado onde revelava ter imposto o encerramento dos centros comerciais diariamente às 21h00. Esta quarta-feira anunciou que essa medida seria para todas as lojas, enquanto os restaurantes ficam obrigados a encerrar uma hora depois Mais, que iria propor ao Governo que impusesse o ensino à distância para os alunos do 3.º ciclo, do ensino profissional e universitário, evitando assim a circulação das camadas mais jovens. No entanto, diz a presidente da câmara Luísa Salgueiro, estas medidas de nada servem se não forem postas em prática medidas noutros concelhos. Por isso garantiu também pedir ao Governo restrições na circulação entre concelhos. Mais medidas serão anunciadas ainda esta quarta-feira em conferência de imprensa. Também a Câmara Municipal do Porto deverá anunciar mais restrições no concelho.

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À rádio Observador o autarca de Gondomar, Marco Martins, diz que na reunião entre os autarcas da Área Metropolitana do Porto saiu uma proposta consensual a todos. “A opinião da generalidade dos autarcas e de mim próprio é a de confinamento obrigatório”, com horário ainda a ser estabelecido, mas após o fecho da hotelaria. Só desta forma, considera, conseguirá impedir concentrações entre jovens e convívios e familiares e evitar os “focos que se têm propagado de forma assustadora”.

“Não há falta de informação, há falta de cumprimento”, afirmou Marco Martins.

“O que achamos, em contacto com os autarcas de Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira, é que as medidas não têm lógica serem só aplicadas a um, dois ou três concelhos, porque o que acontece é que as pessoas saem desses concelhos e vão jantar ao restaurante ou vão divertir-se nos estabelecimentos do concelho ao lado”, sublinhou, por seu turno à Lusa.

Há uma semana o Governo decidiu em Conselho de Ministros impor restrições mais duras aos concelhos de Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira, também no distrito do Porto. Apesar de não ter sido sujeito a um confinamento ou a uma cerca sanitária, foram aplicadas medidas semelhantes aquelas que foram decididas para 19 freguesias de Lisboa durante o verão: os moradores devem manter-se em casa e só sair para o estritamente necessário, como ir trabalhar, à escola, ao médico e às compras. Os estabelecimentos comerciais deve encerrar às 22h00.

Também o presidente da câmara de Valongo, José Manuel Ribeiro, defende o recolher obrigatório, até em todo o território nacional.

O constitucionalista José Moreira da Silva, no entanto, trava a fundo nesta ideia. “Temos todos que ter noção do que isso significa”, lembra à rádio Observador. “É prisão domiciliária!”, afirma, lembrando a importância da liberdade.

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A região Norte registou terça-feira 2.076 dos 3.299 novos casos de Covid-19 em Portugal. Milton Severo, responsável pelas projeções do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), afirmou esta quarta-feira a Lusa que, os casos nesta região poderão “chegar aos 7.000 novos casos” e atingir um índice de transmissibilidade (o designado RT) de 1,6. Mais. Há “vários concelhos” num “patamar semelhante” aos três do Tâmega e Sousa onde foram impostas medidas mais restritas, disse.

Ao Jornal de Notícias, o secretário de estado Eduardo Pinheiro, que coordena esta zona, disse acreditar “que vai haver mais medidas restritivas tendo em conta o volume de novos casos. Vão certamente acontecer, agora os termos teremos que aguardar. Não podemos pôr em causa a saúde pública”.

Entretanto o primeiro-ministro marcou com os partidos reuniões na sexta-feira e convocou para sábado um Conselho de Ministros extraordinário para definir novas “ações imediatas” para o controlo da pandemia da Covid-19 em Portugal.