“Hoje de manhã, existiam 48 surtos ativos em lares no distrito do Porto. Para já têm tudo resolvido e controlado, o que não quer dizer que de um momento para o outro não descambe e dispare.” Quem deu a notícia foi Marco Martins, presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil do Porto, que, com Rui Moreira, marcou presença numa visita à Pousada da Juventude do Porto, onde a partir de amanhã chegarão pessoas com teste negativo à Covid-19. “Para já, não temos nenhum pedido, não quer dizer que nas próximas horas não se verifique”, esclarece.

A intenção é acolher, por um lado, idosos vindos de lares ou estruturas residenciais que necessitem de segregar pessoas que testaram positivo e que não reúnam condições necessárias para o fazer e, por outro, idosos que tenham perdido cuidadores por terem sido infetados pelo novo coronavírus. O edifício, situado na zona do Fluvial, tem capacidade para 35 camas, sendo possível aumentar para o dobro, irá funcionar até dia 31 de março de 2021, uma situação que será avaliada no fim do mês de janeiro.

A Câmara Municipal do Porto assegura a operação e o financiamento em 300 mil euros, já a Comissão Distrital da Proteção Civil encarrega-se do processo de admissões e coordenação, competindo à Autoridade de Saúde Local avaliar e determinar medidas em articulação com a Segurança Social.

O que é importante nos lares é separar aqueles que estão infetados daqueles que não estão infetados. Há uma resposta para as pessoas que estão infetadas no Seminário do Bom Pastor, mas era necessária esta resposta para aqueles que não estão infetados. Separar essas pessoas é, neste momento, absolutamente vital”, refere o autarca Rui Moreira, durante a mesma visita, recordando ainda a resposta aos sem-abrigo que está a ser dada no Hospital Joaquim Urbano.

Prontas a ativar estão já estruturas para pessoas negativas em Santo Tirso, com 30 camas, e pessoas infetadas em Paços de Ferreira, com 35 camas. “Articuladamente iremos todos garantir respostas que funcionem para que nenhuma estrutura fique dependente na sua operação por não ter local para colocar pessoas consoante a situação, seja positivo ou negativo”, explica Marco Martins, presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil do Porto e também autarca de Gondomar.

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Mas será esta resposta suficiente face ao aumento de casos na zona Norte? Rui Moreira tem sérias dúvidas. “A situação que vivemos hoje é uma situação de extraordinária gravidade e, portanto, não é improvável que as respostas que estão a ser colocadas no terreno neste momento sejam insuficientes”, sublinha, admitindo que “há uma enorme limitação de recursos humanos”.

O autarca do município do Porto vai mais longe e diz mesmo que o país vive uma situação “que poderia ter sido antecipada e resolvida de outra maneira”, mas “que não foi”. “Tivemos toda a primavera e todo o verão para fazermos um reforço das resposta e foi feito algum reforço. A meu ver, estamos neste momento numa situação que poderia ter sido antecipada, que poderia ter sido resolvida de outra maneira, a verdade é que não foi. Por isso, mais uma vez, estamos numa situação parecida com março, com mais resposta, mas também com mais infetados.”

Moreira afirma que “agora não vale a pena chorar sobre o leite derramado” e assegura que no distrito do Porto tudo se fará para “serem tomadas as medidas necessárias para minorar o impacto desta situação”.

Restauração e hotelaria: “Até agora, não conheço as medidas do Governo”

Depois do protesto que reuniu funcionários e empresários da restauração na Avenida dos Aliados na passada segunda-feira, que se manifestaram contra as novas regras sobre os horários de recolhimento adotadas no novo estado de emergência, o Primeiro-Ministro anunciou que iria revelar nos próximos dias um pacote de medidas excecionais para o setor. Rui Moreira prefere aguardar para ouvir António Costa, mas admite que, caso seja necessário, poderá tomar medidas adicionais.

Entendemos que esta é uma matéria da competência do Governo e depois nós, supletivamente, analisaremos se é preciso ou não é preciso, se é conveniente ou não é conveniente, se está ao nosso alcance ou não está ao nosso alcance tomar medidas adicionais. Eu até agora ainda não conheço as medidas do Governo, estar a antecipar medidas acho que seria imprudente e houve outros concelhos que tomaram medidas antecipadas e que depois se verificaram ser imprudentes. Isso eu não faço.”

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O independente falou também da falta de turistas na cidade, um cenário que transforma a hotelaria num dos setores mais afetados pela pandemia. “Estamos a viver uma situação em que o turismo parou. Aliás Espanha acaba de anunciar que as pessoas para entrarem em Espanha têm de fazer testes”, mencionou Rui Moreira. “Faremos aquilo que é promoção da cidade do Porto, agora o que não podemos é inventar turistas. Sei que o Governo anunciou medidas de salvaguarda relativamente a essas atividades económicas pela relevância que tem a sua manutenção, nós aguardamos, se for preciso fazer alguma coisa faremos”, rematou.

Árvore de Natal? “Não me peçam para promover a onda da Nazaré nos Aliados”

Esta terça-feira, a Câmara Municipal do Porto anunciou que este ano, devido à pandemia, não haverá a tradicional Árvore de Natal na Avenida dos Aliados, o fogo de artifício na noite de Passagem do Ano, as pistas de gelo ou os concertos gratuitos.

Compreenderão que nesta altura nós não o podemos fazer, nós não podemos promover nenhum evento que traga concentração de pessoas. Se Deus quiser e o vírus também, para o ano teremos duas árvores de Natal em vez de uma, agora este ano seria absolutamente irresponsável por parte da câmara do Porto estar a dizer por um lado aos cidadãos que na medida do possível devem evitar aglomerações e estar a promover fogo de artificio e árvore de Natal.”

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Uma decisão que Rui Moreira justifica e até compara com a aglomeração de pessoas que existiu recentemente junto à praia da Nazaré. “Das duas uma: ou não ia lá ninguém e era deitar dinheiro fora ou ia lá toda a gente e iríamos promover a infeção. Aquilo é um bocado a nossa onda da Nazaré. Não me peçam para promover a onda da Nazaré nos Aliados.”