A pandemia de Covid-19 veio revolucionar a maneira como se trabalha. Para muitos, as deslocações pendulares estão suspensas desde março e trabalhar desde casa passou a ser o habitual. Mas e depois da pandemia? Sem confinamento e com total liberdade de circulação, será que trabalhar desde casa vai continuar a ser uma opção?

Bill Gates tem um prognóstico: vai haver uma redução para metade das viagens de negócio e 30% dos dias no escritório vão desaparecer, revelou o fundador da Microsoft numa entrevista ao The New York Times, citada pelo Business Insider.

“Vamos continuar a ir ao escritório algumas vezes, vamos continuar a ter algumas viagens de negócio, mas drasticamente menos”, afirma Bill Gates.

No mundo pós-pandémico, muitas empresas também vão ter um “standard muito alto” para organizar uma viagem de negócios, aponta Gates. A justificação de estar fisicamente sentado em frente a alguém que está noutra parte do mundo vai deixar de ser suficiente, uma vez a possibilidade de realizar reuniões virtuais que poderão ter os mesmos resultados do que uma reunião presencial.

Quanto ao trabalho remoto, Gates refere que vai existir posições “mais extremadas”. Por outras palavras, algumas empresas vão permitir que os empregados trabalhem para sempre remotamente, enquanto outras vão voltar rapidamente ao escritório. O Twitter, por exemplo, já anunciou que os seus funcionários poderão ter de trabalhar desde casa para sempre.

Ainda assim, o magnata norte-americano aponta uma desvantagem ao trabalho remoto: o facto de ser impossível conhecer pessoas. “Mais poderia ser feito por parte do software para permitir encontros informais após as reuniões”, considera Bill Gates.

A Microsoft, empresa fundada com Paul Allen por Bill Gates, já anunciou que os funcionários vão transitar para um modelo de trabalho híbrido, onde só vão ter de se deslocar ao escritório durante metade da semana.

Na entrevista, Bill Gates aludiu ainda ao uso de máscara e confessa que “nunca tinha pensado que usar máscara se transformaria em algo tão controverso”, principalmente nos Estados Unidos.

O magnata coloca duas hipóteses para explicar o motivo pelo qual existe um sentimento tão forte em relação à utilização da máscara junto aos norte-americanos: primeiro pelo “sentimento individualista” dos EUA e segundo pelas opinião “selvagens e extremadas” do Presidente Donald Trump em relação ao tema.