O presidente da Junta de Freguesia de Alhandra, em Vila Franca de Xira, disse esta quinta-feira à agência Lusa que a população está “desesperada” com a situação do lar local onde já morreram 21 idosos de Covid-19.

Segundo uma notícia desta quinta-feira da TSF, um surto da Covid-19 vitimou 21 utentes do lar da Associação do Hospital Civil e Misericórdia de Alhandra, situado no concelho de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa. Segundo a mesma notícia, as brigadas de intervenção rápida para surtos da Covid-19 em lares, equipas que foram criadas pelo Governo e geridas pela Cruz Vermelha, demoraram pelo menos uma semana a chegar a Alhandra.

Em declarações à Lusa, o presidente da União de Freguesias de Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz, Mário Cantiga, conta que a situação dramática vivida neste lar está a gerar um ambiente de “alarme” na vila de Alhandra, sobretudo pela “falta de informação”.

Há pessoas que já chegaram ao ponto de dizer ‘corram com o lar daqui porque isto está a infetar a população toda’. As pessoas estão em desespero porque desconhecem a verdade e é só aquilo que se ouve na rua”, refere o autarca.

Mário Cantiga diz que têm chegado diariamente à junta de freguesia telefonemas de familiares dos utentes deste lar que “não conseguem obter informação junto da direção”. “Nós temos sido questionados muitas das vezes por filhos ou familiares de pessoas que estão no lar e que muitas vezes não sabem o que se passa”, observa.

Por outro lado, o autarca queixou-se de que as juntas de freguesia estão a ser postas à margem no combate à pandemia da Covid-19.

“A minha revolta nisto tudo é que eu não quero saber quem está doente, mas onde é que está, onde está o foco e como é que nós podemos participar e de que maneira podemos participar. É isso que eu tenho feito chegar a quem de direito, nomeadamente à Câmara Municipal”, acrescentou.

A Lusa contactou a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e a Associação Hospital Civil e Misericórdia de Alhandra, mas não obteve, até ao momento, resposta. Contactada pela Lusa, a Cruz Vermelha Portuguesa, que gere as brigadas, remeteu explicações para o Instituto da Segurança Social, que ainda não deu resposta aos pedidos de explicação sobre o caso.