A sensibilização de pais e alunos para a importância de aprender português no ensino básico e secundário em França vai arrancar em janeiro e fevereiro sendo acompanhada por uma campanha digital dirigida aos jovens.

“É um conjunto de práticas que vamos tentar instaurar. Uma sensibilização junto das crianças no último ano da primária para que escolham português no ensino básico e secundário e, nas escolas onde ainda não há português, tentar mobilizar os pais para que peçam essa abertura”, afirmou a coordenadora do Ensino de Português em França, Adelaide Cristóvão, em declarações à Agência Lusa.

A campanha foi apresentada este sábado nos Estados Gerais da Luso-descendência, evento promovido pela Cap Magellan, associação dedicada aos jovens de origem portuguesa em França, e deve arrancar já em janeiro. “Estamos a preparar a documentação e as nossas primeiras ações no terreno devem acontecer em janeiro e fevereiro”, explicou Adelaide Cristóvão.

Em França, o ensino do português na primária é assegurado por professores colocados pelo Camões — Instituto da Cooperação e da Língua, passando depois a responsabilidade no ensino básico e secundário a pertencer às autoridades francesas.  Esta continuidade consegue-se através do número de inscritos, uma vontade expressa anualmente pelos pais aos diretores das escolas francesas. Daí a necessidade de sensibilizar os pais, de origem lusófona ou não, para a importância do português.

Ao mesmo tempo, a Cap Magellan e mais de 230 entidades associadas, entre professores a associações, vai lançar uma campanha virada para o digital e para os jovens sobre esta temática.

“Vamos trabalhar a parte do digital e ver como podemos completar [a campanha da Coordenação] com uma campanha virada para os jovens. O objetivo é que seja algo atrativo e interessante e que seja levada a cabo por jovens com ferramentas como WhatsApp ou jogos interativos na internet”, disse Luciana Gouveia, delegada-geral da Cap Magellan.

A jornada dos Estados Gerais da Luso-descendência foi criada em 2018 para responder à “urgência” de ter mais alunos de português em França, e já vai na sua terceira edição. “Basta olhar para os números do ensino em português, para ver que há uma urgência em haver uma campanha nacional direcionada aos franceses. Há 50 mil pessoas em França que aprendem português e há 300 mil que aprendem italiano, 800 mil aprendem alemão e 2 milhões aprendem espanhol”, concluiu Luciana Gouveia.