Em condições normais, o Manchester United teria agora o apuramento para os oitavos tecnicamente garantido – e mesmo faltando duas jornadas para o final da fase de grupos. Porque conseguiu o mais difícil, que era ultrapassar o PSG em França e ganhar (com goleada) ao RB Leipzig em Old Trafford. No entanto, uma derrota na Turquia frente ao modesto Basaksehir obrigou a que todas as contas do grupo fossem refeitas e a receção ao campeão francês, que é também vice-campeão europeu, assumia particular importância não só na luta pelo primeiro lugar mas também pela própria qualificação, tendo em linha de conta a deslocação à Alemanha na última ronda. Também por isso, e apesar da densidade competitiva, Solskjaer perdeu margem para fazer algumas poupanças na equipa.

Rashford foi a zebra na selva de Bruno Fernandes e o capitão voltou a ser rei – agora no Parque dos Príncipes

Depois da derrota com o Arsenal e com o Basaksehir, que colocou o lugar do norueguês em causa e trouxe de novo (e como não poderia deixar de ser, sobretudo em equipas inglesas) o nome de Mauricio Pochettino à baila, os red devils não mais voltaram a ceder ainda que as exibições tenham deixado muito a desejar, como aconteceu na deslocação a Liverpool para defrontar o Everton, na receção ao WBA ou no último jogo fora com o Southampton, em que a equipa chegou ao intervalo a perder por 2-0 mas ainda conseguiu virar o encontro com um último golo nos descontos de Cavani, uruguaio que se tornou o grande foco antes de reencontrar a ex-equipa.

“Está pronto para jogar e claro que será também especial para ele defrontar o PSG, o antigo clube onde foi o melhor marcador, o que vai mexer com ele em termos mentais. Conhecendo-o, sei que isso lhe vai dar energia. Ele é um grande profissional e vai estar preparado para o encontro”, destacou, mostrando-se ainda impressionado com o rendimento do uruguaio desde que chegou a Inglaterra e dizendo que pode jogar na mesma equipa com Martial. “Ele só aprendeu duas palavras em inglês, tomorrow e off [amanhã e folga]. Ele quer um dia de folga depois de uma vitória. Quando ele ganha um jogo já conhece essas…”, referiu ainda de forma bem humorada.

Ainda assim, e como mostram os números, Bruno Fernandes voltou a estar na base da redenção do Manchester United nestes últimos quatro triunfos, onde marcou seis dos dez golos que já leva na presente época. E os elogios de Solskjaer ao médio português continuam, em quantidade e “qualidade”. “A maior parte dos jogadores quer melhorar mas alguns acabam por relaxar. Bruno e Cristiano [Ronaldo] não são assim. Querem ser melhores jogadores. Nós sabíamos que o Cristiano ia ser o melhor jogador do mundo por aquilo que fazia aqui. A preparação, o que ele fazia nos treinos… Tinha uma aura à volta dele. E o Bruno é igual, nunca está satisfeito. Se está 3-0 ele quer o 4-0, se marcou um golo, quer marcar dois…”, destacou em entrevista à SportTV. Todavia, nem sempre o português consegue decidir. Ou sequer marcar. Ou até ter a mesma influência. E o encontro que deixou tudo em aberto no grupo H da Liga dos Campeões acabou por ter a sua história escrita por jogadores brasileiros.

Num encontro que começou cedo a partir-se e a permitir transições rápidas para os dois lados, o PSG inaugurou o marcador logo no sexto minuto, com Mbappé a conduzir a jogada, a ver o remate prensado na defesa dos ingleses e Neymar a fazer a recarga descaído sobre o lado direito. Depois, o caso do jogo: o VAR chamou a atenção ao árbitro Daniele Orsato para um lance entre Fred e Paredes mas o médio dos red devils livrou-se da expulsão num lance onde encostou a cabeça ao argentino num duelo que andou a fazer faísca durante largos minutos. Tudo ficava na mesma em termos numéricos, tudo ficaria na mesma no resultado ainda antes do intervalo, com Rashford a ver um remate desviado de forma inadvertida pelo pé de Danilo e a enganar Keylor Navas, que antes tinha tirado o golo a Martial (que jogou de início fazendo parelha com o inglês e também com Edison Cavani). Os ânimos estavam quentes e pior ficaram ao intervalo, com McTominay a pegar-se com Neymar a caminho do balneário já depois de o brasileiro ter acalmado a confusão que se gerou após o lance entre Fred e Paredes.

O PSG jogava quase tudo em Old Trafford mas a entrada na segunda parte poderia ter deitado muito a perder, com o guarda-redes costa-riquenho a ver a sua baliza constantemente ameaçada e com alguns falhanços incríveis como um em que Martial só tinha de encostar ao segundo poste. Também Cavani ficou muito perto de marcar à anterior equipa, numa fase onde já começava a acusar o desgaste físico pela intensidade do encontro. Tudo estava a ficar a jeito do Manchester United, tudo mudou de figura num minuto: Marquinhos, numa insistência na área, apontou o 2-1 já depois de uma grande intervenção de David de Gea a remate de Bakker (69′) e Fred foi mesmo expulso por acumulação de amarelos logo no minuto seguinte, deixando os visitados reduzidos a dez e à mercê de um terceiro golo que surgiu já nos descontos, com Neymar a encostar após assistência de Raphinha (90+1′).