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A mais recente corrida ao supermercado não foi motivada por um panfleto de promoções, por um dia de descontos excecionais ou pelo receio de que o papel higiénico ou outros bens essenciais pudesse faltar na despensa. Desde a última segunda-feira, centenas varreram os expositores do Lidl. No caso, não é a moda nem o seu jogo paradoxal de diferenciação e imitação que devemos responsabilizar. O fenómeno resulta de uma manobra de marketing que se revelou infalível — ou “absolutamente genial”, nas palavras de Catarina Pestana, fundadora e diretora criativa da Bang Bang Agency.

Ténis, chinelos, meias e t-shirts — uma coleção de produtos básicos, sem vestígios de brilhantismo no que toca ao design e que, pelo intervalo de preços (dos 3,99 aos 14,99 euros), não se distingue propriamente por uma qualidade de excelência. O que poderá então explicar o fenómeno que, antes do lançamento em Portugal, já tinha provocado uma corrida frenética às lojas noutros países europeus?

Na origem parece estar um velho conceito: a especulação. Desde o início que as peças são apresentadas como uma edição limitada, um lançamento especial que já havia esgotado noutros mercados. Isso rapidamente desviou o foco das prateleiras do supermercado alemão, entretanto vazias, para os principais marketplaces. No eBay, um par de ténis chegou a estar à venda por 2.000 euros. O aparato estava criado e a atenção dos consumidores garantida. Dada a excentricidade o fenómeno, quem resiste a passar pelo Lidl?

© Divulgação

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