O antigo líder do PSD, Marques Mendes, avançou este domingo no seu espaço semanal de comentário na SIC que o Governo “comunicou ao PSD” que irá levar o plano de reestruturação da TAP a votos no Parlamento assim que for aprovado pela Comissão Europeia. Para o comentador político isto vai tornar um “dossier politicamente quente, ainda mais quente”, já que o executivo vai, desta forma, “obrigar os partidos a tomarem uma posição”. Ao forçar a votação, segundo Marques Mendes, isto aumenta o dramatismo político da situação: “É uma decisão arriscada: se o plano for chumbado no Parlamento, é o fim da TAP. A pergunta é: quem vai viabilizar este plano?

Os partidos ficam assim encurralados: ou aprovam o plano e ficam vinculados a ele, ou chumbam o plano e a companhia corre risco de falência. Marques Mendes adverte que ou a TAP “é reestruturada ou não tem futuro”. O antigo presidente do PSD diz que o modelo da empresa devia passar por “uma TAP maioritariamente privada” em que o Estado apenas pagava as “missões de serviço público”, como as ligações às regiões autónomas e aos países Comunidade de Países de Língua Portuguesa. E vaticina: “A TAP era uma espécie de ‘vaca sagrada’, mas a tolerância em relação à TAP acabou.”

Relativamente às medidas do último Conselho de Ministros, Marques Mendes que haver menos restrições na época do Natal é uma medida “compreensível, mas arriscada” do Governo. O comentador político diz ainda que o governo “fez bem” em não estabelecer regras para as confraternizações privadas de Natal, para evitar situações como a “polícia não pode andar a entrar na casa das pessoas“. O ex-líder do PSD aponta, no entanto, uma “falha” ao Governo caso não permita aos idosos dos lares de zonas de risco receberem visitas no Natal.

Marques Mendes disse ainda que, ao intervir e conseguir terminar com o protesto do movimento “Pão e Água”, o presidente da câmara de Lisboa “fez um favor ao Governo”, pois caso contrário a situação poderia ficar difícil de gerir ao executivo.

Sobre a morte de um cidadão ucraniano às mãos do SEF no Aeroporto de Lisboa, Marques Mendes diz que ministro da Administração Interna Eduardo Cabrita “demitiu o chefe do SEF no aeroporto e mandou a IGAI investigar. Muito bem. Fez o óbvio. Mas falta fazer o essencial: demitir a directora do SEF. A directora do SEF já devia ter-se demitido ou posto o lugar à disposição. Como não o fez, resta ao Ministro substituí-la. Se o não fizer, passa então o ministro a ser cúmplice e co-responsável  pela situação”.