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A ideia de Ole Gunnar Solskjaer era fazer os pontos suficientes para descansar Bruno Fernandes e Rashford na Alemanha, a ideia de Ole Gunnar Solskjaer correu outra vez ao contrário – mas isso não é necessariamente mau. Surpreendido? Não há razão para isso porque este acaba por ser o melhor resumo do último mês do Manchester United, depois da surpreendente derrota na Turquia frente ao Basaksehir: começar a perder é uma constante, ter de mudar para ganhar tornou-se uma regra, ganhar de trás para a frente enraizou-se como uma tendência. Foi isso que permitiu à equipa subir ao sexto lugar da Premier League, tendo menos um jogo do que os adversários mais diretos na frente. Era isso a que queria fugir na complicada (e decisiva) deslocação a Leipzig na Champions.

Bruno não quebrou uma Law com seis décadas mas United mantém a regra: as vitórias nascem de reviravoltas

Queria mas não fugiu. Aliás, até piorou. Se em termos estratégicos Julian Nagelsmann teve uma abordagem ao jogo que fez toda a diferença, Solskjaer revelou todas as fragilidades ao apostar num sistema de três defesas que foi “engolido” pelos germânicos ao longo da meia hora inicial. Depois, nos últimos dez minutos, o Manchester United lá apareceu mas desta vez foi curto e os red devils ficaram mesmo de fora da Liga dos Campeões.

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Angeliño, num lance em que apareceu nas costas de Wan-Bissaka ao segundo poste na esquerda, inaugurou o marcador com apenas dois minutos decorridos. Mas a conta não ficou por aí e, em mais um lance onde a defesa do Manchester United ficou a olhar para o que se passava, Amadou Haidara surgiu mais uma vez sozinho ao segundo poste desta vez na direita para aumentar a vantagem dos germânicos (13′). Os ingleses não existiam, os visitados faziam a festa do futebol ofensivo, desta vez com Forsberg a falhar sozinho na área o terceiro golo com um remate que saiu a rasar o poste da baliza de David de Gea (15′) e Willi Orban a marcar ainda antes da meia hora de jogo numa jogada com Konaté mas com o lance a ser anulado por fora de jogo após indicação do VAR.

Ao intervalo, e para não variar, Solskjaer mexeu. Primeiro trocou Alex Telles por Van de Beek para desfazer os três centrais, mais tarde trocou Matic por Pogba. Só mesmo com a entrada do francês para o meio-campo se começou a perceber uma melhoria na equipa que ainda assim deixava demasiados espaços no setor recuado e foi assim que surgiu o 3-0, com Justin Kluivert a marcar na área um minuto depois de um livre direto de Bruno Fernandes que bateu na trave (69′). O Manchester United estava praticamente eliminado mas os últimos dez minutos foram de loucos e por pouco não houve nova reviravolta: o português reduziu de grande penalidade (80′), marcou depois o canto que assistiu Pogba para o 3-2 (82′) e empurrou a equipa para a frente para mais oportunidades que podiam mesmo dar o empate, entre um remate de Rashford e um quase autogolo salvo por Gulácsi com o pé.

Mais uma vez, o Manchester United tropeçou nas suas fragilidades e ficou curto de intenções quando conseguiu revelar as suas virtudes. O objetivo de chegar aos oitavos da Champions, reforçado com o triunfo em Paris e a goleada ao RB Leipzig em casa, saiu gorado também porque no banco faltam asas a uma equipa que continua a ter em Bruno Fernandes um dos elementos mais resistentes mas que não consegue fugir aos erros próprios.