O Banco de Portugal acredita que a economia portuguesa vai crescer 3,9% no próximo ano — e não 5,2%, como previa em junho —, embora entenda também que a recessão de 2020 deverá ser menos intensa do que projetava nesse período do verão — em vez de 9,5%, espera agora uma queda de 8,1%. Este último valor para 2020 já tinha sido revelado em outubro, num boletim intercalar.

Com esta nova revisão de expectativas para 2021 (+3,9%), o Banco de Portugal torna-se ainda menos otimista do que o Governo — a previsão do executivo, feita em outubro, na apresentação do OE2021, atira o crescimento para 5,4%. No entanto, para este ano (-8,1%), o supervisor é também ligeiramente menos pessimista do que o ministro das Finanças, João Leão, que espera uma quebra de 8,5%.

O Boletim Económico de dezembro, que avança com projeções para a evolução da economia portuguesa até 2023, mostra que o crescimento de 2021 deverá ser puxado em múltiplas frentes, com subidas do consumo privado (+3,9%), consumo público (+4,9%), investimento (+4,4%) e exportações (+9,2%) — cuja subida deverá ser superior à das importações (+8,8%). A recuperação seja mais visível a partir do segundo trimestre.

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Nos próximos anos, depois do crescimento de 3,9% de 2021, o regulador acredita que a economia deverá continuar a recuperação em 2022 (4,5%, uma melhoria de sete décimas face à previsão de junho). “As projeções assumem que as restrições são gradualmente retiradas a partir do primeiro trimestre de 2021, embora a atividade permaneça condicionada até ao início de 2022, altura em que uma solução médica eficaz estará plenamente implementada”, pode ler-se no comunicado do Banco de Portugal. “A atividade económica deverá retomar o nível anterior à pandemia no final de 2022“. Já em 2023, o último ano analisado pela autoridade monetária, o PIB deverá crescer 2,4%.

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Fonte: Banco de Portugal — Boletim Económico de dezembro

O Banco de Portugal acredita que a taxa de desemprego deverá ficar em 7,2% este ano (uma melhoria face aos 7,5% previstos em outubro), porque “há uma contenção muito significativa do emprego nas empresas”, segundo Mário Centeno.

No entanto, o ex-ministro das Finanças, especialista em mercado de trabalho, indica um “desfasamento entre a atividade económica e o desemprego” ainda mais acentuado do que o normal, apontando, por isso, para uma “previsão cautelosa”.

Já para 2021, apesar de ser esperado crescimento económico, a taxa de desemprego também deverá subir — para 8,8%, menos uma décima do que a previsão de junho. A partir de 2022, o Banco de Portugal espera uma melhoria progressiva no desemprego, com uma taxa de 8,1% em 2022 e 7,4% em 2023.

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Tendo em conta que o desemprego este ano deverá ficar em níveis não muito acima de 2019 (quando atingiu uma taxa de 6,5%), o rendimento das famílias, em média, também não deverá sofrer grandes oscilações no conjunto do ano. “O rendimento disponível não cai em 2020, que era o ano em que era mais suscetível de cair”, diz o ex-ministro, que se baseia nos dados da Segurança Social (com um aumento da massa salarial face ao ano passado), e da receita do IRS, “que também não mostra um retrocesso”. O Banco de Portugal reconhece, no entanto, que haverá franjas da população que têm quebras no rendimento.

Mário Centeno espera que os impostos deem uma ajuda: “Nós esperamos que — com um contributo que também há-de ser nesse sentido da carga fiscal para a evolução do rendimento disponível das famílias — haja uma manutenção, sempre em território positivo, da evolução do rendimento”, disse o governador do Banco de Portugal.

O boletim económico do Banco de Portugal, que lembra que o impacto da crise “foi amortecido pelas medidas governamentais, incluindo as moratórias ao crédito”, prevê que o rendimento disponível fique praticamente na mesma este ano, face a 2019, cresça de forma moderada em 2021 e volte a estagnar em 2022.

Artigo atualizado às 20h15