A Comissão Europeia espera agora para Portugal uma recessão de 9,3% este ano, mais do que os -9,8% que apontou em julho, mas ainda continua mais pessimista do que os -8,5% previstos pelo Governo na proposta de Orçamento do Estado. Para 2021, no entanto, há o reverso da medalha — Bruxelas confia que o PIB português suba 5,4% (em vez dos 6% que tinha previsto no verão), igualando as contas do Governo para esse ano.

O boletim de outono da Comissão Europeia aponta a mesma tendência para a zona Euro, com a melhoria das projeções para este ano (recessão de 7,8%, em vez dos -8,7% previstos no verão), e uma degradação das previsões em 2021 (recuperando 4,2% e não 6,1%, como previa Bruxelas em julho). Para a União Europeia como um todo, a Comissão prevê uma recessão de 7,4% em 2020 e uma recuperação de 4,1% em 2021.

Portugal deverá ter o quinto pior desempenho este ano entre os 27 estados-membros, apenas superado por Espanha (que viu agravada a previsão de recessão para 12,4%), Itália (-9,9%), Croácia (-9,6%) e França (-9,4%). No entanto, é esperada para a economia portuguesa a terceira melhor recuperação para 2021, a par de Espanha, só superada por França (+5,8%) e Croácia (+5,7%).  No outro extremo, a Irlanda será o país menos afetado na UE em 2020 (-2,3%), embora deverá ter a terceira recuperação mais baixa no ano seguinte (+2,9%). A Alemanha fica a meio caminho, com uma quebra de 5,6% este ano e uma melhoria do PIB de 3,5% em 2021.

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Bruxelas nota que em Portugal, “com o gradual relaxamento das medidas de distanciamento social no verão, a economia começou a recuperar, e vários setores, em particular na indústria, regressaram em grande medida aos níveis pré-pandemia”, mas que o turismo, o setor mais afetado, “continuou bem abaixo da capacidade e não é expectável que recupere totalmente” neste período, tendo em conta “o crescimento de infeções neste outono”.

Lembrando que o turismo proveniente de outros países, que caiu mais de 90% de abril a junho deste ano, tinha valido 52% das exportações de serviços em 2019, a Comissão considera que esta “elevada dependência do turismo estrangeiro” traz riscos à economia portuguesa.

O consumo privado, depois de ter afundado 13,3% no segundo trimestre face aos três meses anteriores, deverá “regressar aos níveis pré-pandemia no final de 2022”, ao beneficiar “da resposta política do Governo à crise e do ciclo de fundos europeus”. E o investimento deverá cair 10,2% este ano, seguido de recuperações em 2021 (6,3%) e 2022 (5,2%).

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Já o desemprego deverá registar 8% em 2020 — uma melhoria da previsão feita em maio (9,7%), no início da pandemia —, caindo depois para 7,7% em 2021 e 6,6% em 2022. A Comissão Europeia nota que “cerca de 750 mil trabalhadores, ou quase 15% da força de trabalho, beneficiaram de várias formas de apoio temporário no pico da crise” e que, por isso, a taxa de desemprego “aumentou apenas moderadamente de 6,5% em 2019 para cerca de 8% em agosto de 2020”. Agora, com “a recuperação económica e apoios adicionais” esperados pela Comissão, “a taxa de desemprego deverá gradualmente caminhar para perto dos níveis pré-pandemia”.

A Comissão acredita agora que o défice atinja os 7,3% em 2020 e melhore para 4,5% em 2021, previsões iguais às que o Governo fez no âmbito do Orçamento do Estado para 2021. E a dívida pública deverá ficar nos 135,1% em 2020, caindo depois para 130,3% em 2021 e 127,2% em 2022.

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