Os 16 caçadores que mataram 540 animais na montaria que aconteceu no passado fim de semana na Quinta da Torre Bela, na Azambuja, terão pagado entre sete e oito mil euros para participarem no evento, avança esta terça-feira fonte do setor da caça ao JN.

Jacinto Amaro, da Federação Portuguesa de Caça, descreveu o sucedido à Rádio Observador como um “processo de esperteza saloia”, em que o proprietário quis eliminar os animais da propriedade, ganhando muito dinheiro com o processo.

O caso tem sido arrasado por várias entidades. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) considera que houve “fortes indícios de prática de crime contra a preservação da fauna durante uma montaria realizada a 17 e 18 de dezembro, na qual terão participado 16 caçadores”, sendo que vai, por isso, apresentar queixa ao Ministério Público (MP). O ICNF já suspendeu inclusive, com efeitos imediatos, a licença da Zona de Caça Turística de Torrebela (nº 2491-ICNF).

O Ministério do Ambiente veio também criticar o ato “ignóbil e vil”, principalmente a “gabarolice dos próprios caçadores”, que postaram nas redes sociais fotografias dos animais juntamente com a descrição “super recorde”.  O ministro chegou mesmo a caracterizar o caso como um “crime ambiental”.

Ministro do Ambiente critica “gabarolice” dos caçadores que mataram 540 animais em “ato vil e inaceitável”

Os próprios caçadores também não se reveem no que aconteceu na Quinta da Torre Bela: “Caça não é isto! Os caçadores não se reveem e repudiam este episódio!”, defendem várias associações ligadas à caça num comunicado conjunto.

Montaria: queixa no Ministério Público e revogação da licença de caça

No total, os 16 caçadores mataram 540 animais na Quinta da Torre Bela. O abate dos animais ocorreu numa quinta 1.000 hectares vedados com muros, tendo os animais ficados encurralados na propriedade.