Rui Rio acredita que o país terá de ir a votos em 2022. O líder do PSD perspetiva uma crise política durante as negociações do próximo Orçamento do Estado e acredita que o Governo acabará por cair na viragem do ano.

Em entrevista à Antena 1, o presidente social-democrata classificou o próximo mês de outubro, onde se jogam as próximas eleições autárquicas e o Orçamento do Estado para 2022, como o “momento mais pesado” para o Governo e onde vão ficar ainda mais evidentes as “fragilidades” e a “fragmentação” da esquerda e, em concreto, do Executivo socialista. “É muito difícil a legislatura chegar até ao fim. Está claramente na curva descendente”, antecipou Rio.

Sobre as eleições autárquicas de 2021, a grande aposta da direção do PSD, Rui Rio assumiu, pela primeira vez desde que é líder do PSD, a pretensão de ganhar as Câmaras de Lisboa e Porto. Se no caso da capital, o líder social-democrata disse que “Fernando Medina não é imbatível” e que o PSD “tem de ir para ganhar”, no Porto, Rui Rio não hesitou em relacionar o caso Selminho com as renovadas ambições do PSD.

[Rui Moreira] está numa situação muito periclitante, o que torna isto aqui [eleições] num horizonte completamente diferente. Vamos olhar para eleição do Porto com vontade de ganhar”, prometeu Rui Rio.

No caso das presidenciais, o líder social-democrata atirou em duas frentes: contra o PS e contra André Ventura. Sobre os socialistas, Rio disse que o PS é, já à partida, o “grande derrotado das eleições”, uma vez que não foi capaz sequer de apoiar um candidato da sua família política. “É como no futebol, aquelas equipas que a cinco jogos do fim já desceram de divisão“, provocou Rio.

Quanto a Ventura, e desafiado a escolher se preferia Ana Gomes ou o líder do Chega em segundo lugar, Rio, que voltou a negar taxativamente a existência de qualquer acordo nacional com Ventura à boleia dos Açores, permitiu-se apenas dizer que “seria mau para o país se André Ventura tivesse uma votação expressiva”. “Não gostaria que o discurso dele fosse premiado“, assumiu

Já sobre a coabitação entre os dois partidos — PSD e Chega –, Rui Rio ensaiou a fórmula que tem vindo a repetir: “Governo meu com o Chega lá dentro é muito difícil. Se se moderar, é possível falar.”

Ainda à direita, Rio desvalorizou as aparições públicas de Pedro Passos Coelho e pediu respeito pelo ex-primeiro-ministro, insistindo várias vezes que o seu antecessor na liderança do PSD tem “todo o direito e legitimidade” para falar sobre o país e criticando aqueles (“sempre os mesmos”) que procuram usar as declarações de Passos para alimentar ambições pessoais de poder.

Saúde, Novo Banco e TAP: as três grandes falhas do Governo

No arranque da entrevista, Rui Rio falou ainda sobre a resposta do Governo à crise sanitária e acusou o Executivo socialista de ter abdicado da ajuda do setor privado e social por mero tabu ideológico. Uma decisão, insistiu o líder social-democrata, que contribuiu para falhas na resposta do Serviço Nacional de Saúde em particular em relação aos doentes não-Covid.

“A taxa de mortalidade subiu imenso em 2020. Estimo que vão morrer cerca de 15 mil pessoas acima da média, 5 de Covid e outras 10 mil por outras patologias. Isto tem que ver com falta de planeamento. Responsabilizo politicamente o Governo e o primeiro-ministro. Isto é muito grave. Isto não são números são pessoas”, criticou Rio.

Na questão do Novo Banco e à TAP, Rui Rio fez as contas: só neste Governo, “já custaram 7 mil milhões” de euros. “Dava para fazer 16 hospitais centrais e 2 mil centros de saúde. É um assunto sério e acho um desaforo [a forma como o dinheiro está a ser investido]”, acusou o líder do PSD.