Marine Le Pen esteve esta sexta-feira ao lado de André Ventura numa conferência de imprensa conjunta em que os dois trocaram elogios e sinais de admiração. A líder da Frente Nacional chegou mesmo a referir-se a Ventura como um “grito que vem do coração e um sinal do céu”. Antes, já o deputado e presidente do Chega tinha dito que este era um “dia muito feliz e importante” para o Chega.

A conferência de imprensa começou, aliás, de forma bastante conturbada e com largos minutos de atraso. No dia em que Portugal registou o maior número de casos Covid-19, a organização da campanha de André Ventura, que tinha exigido a todos os representantes da comunicação social que se acreditassem para marcar presença na iniciativa, permitiu que a lotação da sala fosse aparentemente excedida face às restrições atualmente em vigor. Muitos repórteres decidiram abandonar a sala em sinal de protesto e a situação só acabou resolvida com a garantia de André Ventura de que prestaria declarações à saída.

Retomada alguma normalidade, André Ventura deu as boas-vindas a Le Pen, um sinal particularmente “simbólico” quando o partido, disse Ventura, está a dar os primeiro passos nas eleições presidenciais portuguesas para, em conjunto com a Frente Nacional e outras forças de direita nacionalista, ajudar a construir “um projeto comum para a Europa, contra Bruxelas, essencialmente dos europeus, de quem trabalha, de quem paga impostos e daqueles que se esforçam por manter a identidade europeia e não daqueles que não aceitam qualquer integração”.

Na resposta, Le Pen fez questão de salvaguardar que o Chega e a Frente Nacional não são “clones” mas “parceiros”. A líder política francesa aproveitou o momento para piscar o olho à comunidade portuguesa em França, onde se contam também apoiantes da Frente Nacional, dizendo que a “diáspora portuguesa em França soube “honrar o seu país através da sua atitude exemplar e do seu civismo”. Uma crítica implícita a outras comunidades que, de acordo com Le Pen, nunca souberam nem quiseram respeitar a cultura francesa.

A líder da Frente Nacional não deixou de elogiar Ventura por se juntar aos movimentos nacionalistas que vão crescendo por toda a Europa, um “grande movimento histórico” a que Portugal, “incongruentemente”, “parecia esquivar-se”. “Têm imensa sorte em ter um chefe político tão forte e tão talentoso”, elogiou Le Pen.

Le Pen não resistiu, aliás, em atacar António Costa e as políticas de imigração defendidas pelo Governo socialista deixando um apelo aos apoiantes do Chega. “Não deixem que isso aconteça, amigos portugueses. Defendem o vosso país, as vossas famílias e as vossas crianças.”

“Biden pode ser um perigo para a Europa e para o Mundo”, diz Ventura

Uma palavra ainda sobre Donald Trump. Le Pen e André Ventura foram desafiados a comentar os recentes acontecimentos em Washington e ambos condenaram a violência praticada pelos apoiantes do ainda Presidente norte-americano. Mas reiteraram o apoio ao republicano.

“A eleição de Donald Trump teria sido melhor para os interesses da França. Condenei de uma forma bastante firme os acontecimentos que tiveram legar no capitólio”, sublinhou Le Pen. “O Chega condena qualquer ato de violência sobre as instituições. Acreditamos na democracia pelo voto. Não se pode usar a violência. Mas Biden pode ser um perigo para a Europa e para o Mundo”, concordou Ventura.

Depois da conferência de imprensa, os dois seguiram, de carro, para o Monumento aos Heróis da Grande Guerra, a cerca de 600 metros do hotel lisboeta, na Avenida da Liberdade. Lado a lado, os dois depositaram uma coroa de flores em homenagem aos combatentes e ficaram cerca de um minuto em silêncio.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Depois, mais uma vez em declarações aos jornalistas, André Ventura admitiu a hipótese de adiar as eleições presidenciais, dizendo aceitar qualquer decisão. Mas acrescentou: “Estou convencido que que, quantos mais dias de campanha houver, mais votos eu vou ter.”

Um cenário pouco provável uma vez que para adiar as eleições seria necessário alterar a Constituição, algo que é impossível enquanto vigorar o Estado de Emergência.

*Com Lusa