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Taremi, o patinador que ofereceu uma escultura de gelo à ideia do treinador (a crónica do Famalicão-FC Porto)

Marcou o primeiro, sofreu o penálti que deu o segundo, marcou o terceiro. Taremi foi o melhor da goleada do FC Porto em Famalicão: mas é principalmente a cara da vitória da ideia de Sérgio Conceição.

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O avançado iraniano é já o segundo melhor marcador dos dragões, atrás de Sérgio Oliveira

LUSA

O avançado iraniano é já o segundo melhor marcador dos dragões, atrás de Sérgio Oliveira

LUSA

51 jogos, quatro golos. A temporada passada nem sequer foi a melhor de Jesús Corona desde que chegou ao FC Porto, tendo em conta que no ano anterior tinha feito mais dois jogos e marcado mais três golos. Contudo, a temporada passada foi talvez a mais importante para Jesús Corona desde que chegou ao FC Porto. Num ano que parou a meio, num ano em que os dragões vieram de trás para ganhar o Campeonato ao Benfica, num ano em que a equipa precisava de vozes de comando, o jogador mexicano nunca vacilou. E foi, sem grandes margens para dúvidas, o elemento fulcral do plantel de Sérgio Conceição.

Por tudo isso e por mais ainda, Corona foi considerado pelo jornal O Jogo o melhor jogador do ano de 2020. E na entrevista que o médio deu quando recebeu o prémio, depressa se notou que este tinha poucas amarras ao passado e apontava já ao futuro — e à necessidade de “fazer mais golos e definir melhor no último terço”. Ora, Sérgio Conceição, confesso admirador de Corona, foi questionado sobre isso mesmo na conferência de imprensa de antevisão da visita ao Famalicão. E não escondeu que costuma dizer ao mexicano que gostava de que ele, de facto, marcasse mais golos.

Ficha de jogo

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Famalicão-FC Porto, 1-4

13.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Municipal 22 de Junho, em Famalicão

Árbitro: Rui Costa (AF Porto)

Famalicão: Vaná, Riccieli (Campana, 64′), Diogo Queirós, Babic, Rúben Vinagre (Calvin, 64′), Morer, Gustavo Assunção, Lukovic (Pereyra, 86′), Gil Dias (Valenzuela, 74′), Anderson, Robert (Iván Jaime, 74′)

Suplentes não utilizados: Zlobin, Trevisan, Ugarte, Edwin Herrera

Treinador: João Pedro Sousa

FC Porto: Marchesín, Nanu, Mbemba, Diogo Leite, Zaidu, Corona (Toni Martínez, 74′), Uribe, Sérgio Oliveira (João Mário, 85′), Otávio (Grujic, 85′), Marega (Luis Díaz, 68′), Taremi (Pepe, 74′)

Suplentes não utilizados: Diogo Costa, Felipe Anderson, Evanilson

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: Taremi (13′ e 58′), Robert (gp, 20′), Sérgio Oliveira (gp, 32′), João Mário (89′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Mbemba (12′), a Diogo Queirós (16′), a Vaná (31′), a Gustavo Assunção (41′), a Riccieli (55′), a Morer (90+4′)

“O Corona é muito bom rapaz, às vezes até demais. Como ele está, está bem. Se me disser que ele é um bocadinho mais egoísta no último terço, acho que sim… Mais assistências não, é um jogador que dá sempre algo ao jogo, tem uma criatividade fora do comum. Se puder acrescentar ainda mais golos, que seja para isso. Ele vem cá para fora dizer a mesma coisa que lhe dizemos. Como está, está muito bem”, disse o treinador dos dragões, que não parou por aí no rol de elogios ao jogador de 28 anos.

“Tem tido uma evolução na sua consistência. Não oscila entre o muito bom, o razoável e o mau. É sempre muito bom ou bom. O Corona consegue emprestar ao jogo esse trabalho que dá à equipa, trabalho a nível defensivo, que é importante quando estamos numa situação em que o adversário está por cima do jogo. Por vezes, até pode existir uma permuta entre ele e o lateral, porque o Manafá ficou na frente e ele ficou mais atrás… Se puder juntar mais uns golos a tudo aquilo que conhecemos do Corona, melhor ainda”, terminou Sérgio Conceição. Contudo, apesar de tudo isso, Jesús Corona foi convidado pelo jornal O Jogo a eleger aquele que, na sua opinião, foi o melhor jogador de 2020. E o mexicano não teve dúvidas, meias palavras ou discurso de elogio ao coletivo: o eleito seria Otávio.

Otávio que, precisamente, estava de regresso à equipa esta sexta-feira depois de ter falhado os últimos dois jogos por castigo. O médio brasileiro era a grande boa notícia para Sérgio Conceição nesta jornada, já que o treinador do FC Porto estava desprovido de Wilson Manafá e Fábio Vieira, um habitual titular e um jogador que salta quase sempre do banco, porque ambos testaram positivo para a Covid-19. Cláudio Ramos e Carraça, dois elementos pouco utilizados, também estavam infetados mas não afetavam de sobremaneira as escolhas do técnico para a visita ao Famalicão.

Uma visita a um terreno onde o FC Porto perdeu na época passada, na primeira jornada da retoma depois da paragem da competição, e onde o líder Sporting também escorregou recentemente. A entrar em campo já depois dos leões e do Benfica — que venceram, respetivamente, Nacional e Tondela –, os dragões sabiam que estavam obrigados a bater o Famalicão que quisessem regressar ao segundo lugar da Liga, com os mesmos pontos dos encarnados e a quatro da liderança. Sérgio Conceição surpreendia pouco ou quase nada no onze inicial e colocava Nanu no lugar de Manafá, na direita da defesa, e fazia Otávio regressar ao meio-campo. Pepe estava de volta à equipa mas arrancava no banco de suplentes, com Diogo Leite a manter a titularidade ao lado de Mbemba. Do outro lado, destaque para a presença de Diogo Queirós, central formado no FC Porto, e Rúben Vinagre, reforço do Famalicão que chegou nos últimos dias por empréstimo do Wolverhampton, no onze inicial de João Pedro Sousa. Treinador que se via pela primeira vez sem o melhor marcador da equipa, Rúben Lameiras, que assinou pelo V. Guimarães.

Já depois do apito inicial, e num relvado que tinha autênticas placas de gelo devido às baixas temperaturas que se faziam sentir em Vila Nova de Famalicão, o FC Porto começou naturalmente melhor. Os dragões assumiram o controlo do jogo, ainda sem grande presença no último terço adversário, e colocaram desde logo a primeira linha de construção numa zona muito adiantada do terreno. A equipa de João Pedro Sousa procurava responder com uma pressão alta a essa fase inicial do movimento ofensivo dos dragões mas apostava principalmente no erro adversário para depois lançar o contra-ataque e a velocidade de jogadores como Gil Dias, Robert e Anderson.

A primeira oportunidade da partida apareceu de bola parada, com um livre direto que Sérgio Oliveira bateu rasteiro e passou a rasar o poste da baliza de Vaná (11′), e o FC Porto não precisou de esperar muito até abrir o marcador. Corona recebeu um lançamento largo de Nanu no corredor direito e cruzou atrasado para a grande área; a defensiva do Famalicão acompanhou somente Marega, que foi o primeiro a chegar à zona de finalização, e esqueceu-se de Taremi, que aparecia numa segunda linha do ataque. O avançado iraniano rematou de primeira e sem qualquer oposição e abriu o marcador (13′).

O Famalicão, contudo, reagiu bem ao golo sofrido. A equipa de João Pedro Sousa, que está a realizar uma temporada muito abaixo da anterior — perdeu elementos fulcrais, como Fábio Martins, Toni Martínez ou Pedro Gonçalves –, subiu as linhas e procurou importunar a até aí descansada defesa do FC Porto. E num dos primeiros lances em que conseguiu chegar perto da baliza de Marchesín, acabou por conquistar uma grande penalidade: Nanu foi o primeiro a errar e abriu a porta a uma má abordagem de Diogo Leite, que acabou por carregar Anderson em falta. Na conversão, Robert não desperdiçou a oportunidade, empatou a partida e marcou o primeiro golo do Famalicão em quatro partidas consecutivas (20′).

Os dragões voltaram a tomar conta do jogo logo em seguida, apesar de nunca conseguirem implementar um autêntico domínio de futebol ofensivo e de terem ficado limitados com os problemas físicos de Corona, que ficou com dores numa das pernas depois de um choque com um adversário. Neste contexto, acabou por ser uma grande penalidade, novamente, a fazer a diferença. Vaná abordou um lance de forma muito imprudente, saiu da baliza e lançou-se no chão, onde acabou por tombar Taremi. Rui Costa começou por não assinalar nada mas mudou de ideias depois de ver as imagens do VAR. Na conversão, Sérgio Oliveira voltou a marcar, chegou ao 11.º golo em todas as competições esta temporada e restaurou a vantagem do FC Porto (32′).

Até ao intervalo, Corona ficou perto de aumentar a vantagem dos dragões, com um remate acrobático que Vaná encaixou (35′), e o FC Porto voltou a pedir uma nova grande penalidade, desta feita por queda de Sérgio Oliveira na grande área, mas Rui Costa mandou seguir. Sem impressionar, o FC Porto terminava a primeira parte com uma valiosa vantagem tangencial mas, embora fosse clara e notória a diferença de qualidade coletiva e individual entre as duas equipas — Robert marcou no único remate enquadrado do Famalicão até ao intervalo –, ficava a ideia de que o jogo estava longe de estar decidido. A essa dificuldade, acrescia o estado do relvado, que para além de estar muito rijo e doloroso sempre que os jogadores caíam, estava escorregadio e toldava a abordagem aos lances. Algo que muito irritou Sérgio Conceição durante a primeira parte, já que o treinador dos dragões pediu incessantemente a Zaidu que entrasse de forma mais agressiva nos duelos.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Famalicão-FC Porto:]

Na segunda parte, nenhum dos treinadores fez alterações — nem mesmo Sérgio Conceição, que voltou a lançar um claramente limitado Corona, que regressou ao relvado a coxear e com uma coxa elástica na perna. O jogo não assumiu uma dinâmica clara, entre o controlo que o FC Porto ia exercendo e as tentativas que o Famalicão fazia a espaços, e acabou por ser Taremi, mais uma vez, a desbloquear uma situação que se ia prolongando. Canto batido na direita, Vaná saiu de entre os postes para afastar para a entrada da grande área e Otávio insistiu com um novo cruzamento; Taremi apareceu mais alto do que todos os outros a cabecear e viu o guarda-redes adversário ficar pregado no chão, depois de escorregar no relvado gelado, sem hipótese de evitar o terceiro golo dos dragões. O avançado iraniano bisava no Campeonato pela segunda jornada consecutiva e chegava aos seis golos no competição, isolando-se enquanto segundo melhor marcador da equipa, apenas atrás de Sérgio Oliveira.

João Pedro Sousa reagiu ao terceiro golo sofrido com uma dupla alteração, lançando Campana e Calvin, e Sérgio Conceição reagiu quase de imediato ao trocar um apagado Marega por Luis Díaz. O jogo ia sendo arrastado pelo avançar do relógio, sem grandes ocasiões de golo e com o FC Porto a preferir gerir o resultado — ainda que sem grande tranquilidade, sempre com algumas perdas de bola a meio-campo e pouca definição na entrada do último terço adversário. Confrontados com a quase inexistência de pontos de destaque, os treinadores voltaram a mexer: Valenzuela e Iván Jaime entraram na equipa da casa, Toni Martínez e Pepe entraram nos visitantes. O central português voltava à competição depois de ter estado ausente por lesão, Taremi saía depois de marcar duas vezes e Corona ia finalmente descansar, colocando um saco de gelo na perna assim que sentou no banco de suplentes. Antes, contudo, o Famalicão tinha protagonizado a melhor oportunidade da segunda parte, com Gil Dias a rematar de fora de área e a assustar Marchesín (73′).

Nos últimos 15 minutos, o Famalicão até viveu o melhor período no jogo, ao obrigar Marchesín a duas defesas apertadas (85′ e 88′), mas o destino da partida estava mais do que decidido: João Mário, que entretanto tinha entrado, estreou-se a marcar na equipa principal do FC Porto com um remate cruzado depois de uma assistência de Luis Díaz, que conduziu um contra-ataque letal em que acabou por beneficiar de nova escorregadela de um adversário (89′).

O FC Porto goleou o Famalicão antes do Clássico com o Benfica, respondeu às vitórias dos principais rivais, voltou a igualar os encarnados e manteve os quatro pontos de distância para o Sporting. Para isso, muito pode agradecer a Taremi, que marcou dois golos e sofreu a grande penalidade convertida por Sérgio Oliveira. O avançado iraniano, que conquistou a titularidade ao lado de Marega, no início da temporada, foi um autêntico patinador na pista de gelo que era o relvado de Vila Nova de Famalicão. Mais do que isso, ofereceu uma escultura à ideia vencedora de Sérgio Conceição: o treinador apostou no modelo dos dois avançados na frente, deu liberdade e espaço a Marega e é cada vez mais um elemento fulcral no movimento ofensivo da equipa.

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