O Grupo Renault anunciou hoje um plano estratégico para alcançar uma margem operacional de 3% até 2023, baseando o seu modelo de negócio na rentabilidade e não na quota de mercado, com uma redução do investimento e dos custos fixos.

O plano, que será executado até 2025, continua e aprofunda a reestruturação lançada pelo grupo em maio – com uma redução de 15.000 postos de trabalho – para lidar com a situação complicada provocada pela pandemia de Covid-19, embora os resultados financeiros para 2020 não sejam conhecidos até fevereiro.

O eixo principal da estratégia é mudar o “foco do volume de vendas para o valor financeiro“, salientou o CEO do grupo, Luca de Meo, quando apresentou o projeto.

Um dos principais eixos da nova estratégia é o que a Renault define como “disciplina rigorosa de custos”: procura continuar e aprofundar a redução dos custos fixos lançada em maio, que atingirá 2,5 mil milhões de euros (3,053 mil milhões de dólares) acumulados em 2023 e 3 mil milhões de euros (3,664 mil milhões de dólares) em 2025.

A empresa espera chegar a 2025 com uma redução da capacidade de produção para 3,1 milhões de unidades por ano, contra 4 milhões em 2019, como indicado numa declaração, mas com mais flexibilidade nas fábricas. Além disso, os custos variáveis diminuirão em 600 euros por veículo até 2025. Os investimentos e despesas em inovação e desenvolvimento serão reduzidos dos atuais 10% do volume de negócios para 8% em 2025.

No plano técnico, o Grupo Renault reduzirá para metade as suas plataformas (de seis para três) e as suas famílias de motores (de oito para quatro).

Na frente comercial, o grupo planeia lançar 24 novos modelos até 2025, dos quais pelo menos dez serão totalmente elétricos. Até esse ano, a Renault terá “a gama de modelos mais verde da Europa”, salientou Luca de Meo. O regresso de “modelos icónicos” como o lendário R5, que será elétrico, ou o Lada Niva também está planeado.

Em áreas geográficas, a Renault quer concentrar a sua presença internacional nos mercados e segmentos mais lucrativos, especialmente na América Latina, Índia e Coreia do Sul, e “tirar partido da competitividade adquirida” em Espanha, Marrocos, Roménia e Turquia, precisa o comunicado. “A Europa ainda representa três quartos dos nossos lucros”, recordou o CEO do grupo, para quem a “expansão global” dos lucros é necessária. A empresa insistiu que “deixará de medir o seu sucesso em quota de mercado ou volume de vendas, mas sim em rentabilidade”.

O grupo terá quatro grandes unidades de negócio: Renault, Dacia-Lada (que serão mais integradas entre si), a marca desportiva Alpine e Mobilize, um ramo dedicado aos serviços de mobilidade (como a partilha de automóveis) e dados, e que deverá representar pelo menos 20% das receitas do grupo até 2030.

No plano tecnológico, além do desenvolvimento de novos veículos elétricos alimentados por baterias ou hidrogénio, a Renault prevê lançar um veículo em parceria com a Google em 2022, que terá os serviços e aplicações do gigante informático.