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Vários estados na Alemanha estão a criar “centros de detenção” para quem não cumprir regras de isolamento por Covid-19. Quem se recusar a cumprir, de forma reincidente, (mesmo após terem sido, em vão, aplicadas coimas) poderá ser enviado para estes locais, noticia a imprensa alemã. Na Saxónia, um dos estados mais afetados nesta nova vaga, está esta semana a ser construído um “centro de detenção” perto de um asilo para refugiados em Dresden.

As autoridades desse estado sublinham que apenas em último caso alguém será enviado para esses locais – pessoas que recusam cumprir quarentena por estarem infetadas com o novo coronavírus ou por terem tido contactos de risco e tenham ordem de isolamento por parte das autoridades de saúde. Citado pela RT, um porta-voz do governo estadual explicou que para aumentar o cumprimento das regras, será dito às pessoas que se receberem um aviso, depois uma multa e mesmo assim se recusarem a cumprir, então um tribunal poderá obrigá-los a passar algum tempo nesse “centro de detenção”.

“Não acreditamos que estaremos a falar de muitas pessoas, mas caso um tribunal decida nesse sentido, então temos de garantir que existe uma infraestrutura capaz de receber essas pessoas”, explicou o porta-voz, referindo-se ao centro que está a ser montado em Dresden, na Saxónia.

Segundo o Die Welt, há mais três estados, pelo menos, que têm planos semelhantes: Baden-Württemberg no sul do país e, no norte, Brandemburgo e Schleswig-Holstein. Em Baden-Württemberg, dois hospitais vão ter salas guardadas pela polícia e para onde serão enviadas pessoas que violem as regras de forma reincidente – juristas disseram ao jornal que estas medidas se enquadram na legislação aprovada a nível federal e estadual para combater a pandemia.

A imprensa alemã não esclarece quantas pessoas foram identificadas, já, por incumprimento recorrente. E, não sendo claro se há mais estados a prever medidas recentes, o assunto já está a lançar a disputa política à escala regional. Na Saxónia, uma deputada do partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha) criticou o governo estadual por “andar a ler demasiados livros de George Orwell”.

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