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O Open da Austrália só arranca oficialmente no início de fevereiro mas já está a ser jogado fora dos courts há vários dias. A quarentena obrigatória imposta pelas autoridades de saúde australianas a todos os jogadores, motivada pelo acelerar da pandemia no país, está a motivar muitas críticas por parte de alguns atletas — que estão privados de treinar e afastados dos treinadores e preparadores físicos.

Três grupos de jogadores que vão participar no Open da Austrália, onde se incluem os portugueses Frederico Silva e Pedro Sousa, estão totalmente isolados nos quartos de hotel devido a casos positivos detetados em passageiros dos voos em que seguiram. As críticas destes atletas à ausência de soluções por parte da organização do primeiro Grand Slam da temporada passam pela desigualdade face aos outros tenistas, que apesar de também terem muitas restrições podem treinar até cinco horas por dia. Com base em tudo isto, Novak Djokovic, o número 1 do mundo, enviou uma carta ao diretor do torneio onde fez uma série de exigências para que a preparação dos atletas isolados pudesse ser facilitada.

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Djokovic tem treinado na varanda do quarto de hotel onde está a cumprir a quarentena obrigatória

Na carta, Djokovic faz seis pedidos a Craig Tiley: material de fitness e de treino em todos os quartos; comida decente, de acordo com o nível do torneio e com a alimentação de um atleta de elite; redução dos dias de isolamento para os tenistas isolados, com a realização de mais testes que confirmem que estão todos negativos; permissão para visitar os treinadores ou preparadores físicos, desde que ambos tenham testado negativo; que jogador e treinador sejam colocados no mesmo piso do hotel; e mover o máximo de jogadores possível para casas privadas com courts para treinar. As exigências do sérvio, porém, receberam um rotundo não por parte das autoridades de saúde australianas, que recordaram que “não há tratamento especial para ninguém”.

Certo é que, e já depois de tenistas como Belinda Bencic, Aryna Sabalenka ou Lesia Tsurenko terem mostrado os exercícios que estão a realizar dentro dos quartos nas redes sociais, são já 10 os tenistas do Open da Austrália que testaram positivo para a Covid-19 — depois de dois novos casos terem sido confirmados esta quarta-feira. Pelo meio, e com o Grand Slam em total ebulição, surgiu a notícia de que o diretor do torneio terá pedido aos atletas que mantenham as críticas privadas e que as dirijam diretamente à organização do Open: ou seja, que não façam comentários sobre o isolamento e as regras a que estão sujeitos nas redes sociais ou em qualquer entrevista.

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O pedido de Craig Tiley poderá ter chegado depois das declarações de Roberto Bautista Agut a um canal de televisão israelita. Em entrevista, o espanhol explicou que estar em quarentena num quarto de hotel “é como estar numa prisão mas com Wi-Fi”. E continuou: “Estas pessoas não fazem ideia do que é o ténis e de que é preciso estar nos courts para treinar. É um desastre total. A Federação Australiana de Ténis não tem qualquer palavra, está tudo dependente do governo e dos oficiais de saúde. É duro e penso que precisamos de uma grande força e trabalho mental. Temos de saber ser pacientes”. Bautista Agut, porém, recorreu mais tarde ao Instagram para se desculpar, garantindo que tudo se tratou de uma conversa privada que nunca deveria ter sido publicada pelos meios de comunicação social.

Mais paciente e apaziguadora foi Victoria Azarenka, que lembrou aos colegas de profissão que não há muito a fazer. “Estar numa quarentena de 14 dias num quarto de hotel é difícil de aceitar, depois de todo o trabalho que desenvolvemos na pré-temporada para nos prepararmos para este primeiro Grand Slam da época. Percebo isso. Mas às vezes as coisas são assim e temos de as aceitar, adaptarmo-nos e seguir em frente”, escreveu a bielorrussa no Twitter.