O coordenador do plano de vacinação contra a Covid-19 em Portugal, Francisco Ramos, não vai ser vacinado na primeira fase, ao abrigo da prioridade dada aos responsáveis políticos. A garantia foi dada pelo próprio ao Observador, dois dias depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter afirmado que o responsável do plano devia ser considerado prioritário.
“Não vou ser”, respondeu o ex-secretário de Estado que coordena a task-force que está a implementar o plano de vacinação em Portugal. “A task-force não propôs o coordenador como prioritário.”
Questionado sobre se outros elementos da task-force receberiam a vacina nesta primeira fase, Francisco Ramos acrescentou que também não.
No domingo, porém, o Presidente da República tinha considerado que Francisco Ramos devia ser incluído no pequeno grupo de decisores políticos considerados prioritários para a vacina.
“Acho que seria estranho se pegássemos nos políticos em pacote, mesmo que fossem 400, 500, mil, e passassem à frente de idosos com doenças mais graves, de médicos”, afirmara Marcelo Rebelo de Sousa, durante uma entrevista ao programa “Isto é Gozar com Quem Trabalha”, na SIC.
“Até porque há políticos que se compreende que tenham prioridade. A ministra da Saúde tem prioridade. A diretora-geral da Saúde tem prioridade. O secretário de Estado da Saúde tem prioridade. O coordenador do plano de vacinação tem prioridade. O primeiro-ministro, que está a presidir ao Conselho Europeu, onde não é possível substituir-se por um ministro, não vai pedir ao primeiro-ministro espanhol para o substituir na presidência portuguesa se cair com Covid”, acrescentou Marcelo, no programa conduzido pelo humorista Ricardo Araújo Pereira.
“Mas há muitos outros que não têm prioridade. Como tudo na vida, é uma questão de bom-senso.”
A inclusão de um grande número de decisores políticos na primeira fase da vacinação contra a Covid-19 tem provocado grande divisão no debate político nacional. Enquanto o Presidente da República continua a insistir na seleção de um grupo reduzido de decisores essenciais para o funcionamento do Estado, o recente despacho do primeiro-ministro sobre o assunto considera como prioritários 20 membros do Governo, todos os presidentes de câmara e um grande número de elementos (decididos por cada órgão) da Assembleia da República, do Conselho de Estado, das estruturas governativas das Regiões Autónomas, do Tribunal Constitucional, do Tribunal de Contas, do Ministério Público, do Conselho Superior da Magistratura, da Provedoria de Justiça e dos Tribunais Administrativos e Fiscais.
Apesar das várias vozes que se têm levantado contra a vacinação prioritária de um grande número de políticos (incluindo da parte de vários deputados, que têm recusado ser vacinados antes do tempo), soube-se recentemente que estão alocadas à vacinação dos titulares de órgãos de soberania um total de 2 mil doses de vacina — o que significa que se está a contar com a vacinação de um milhar de pessoas dentro deste grupo.