Em fevereiro de 2019, publicações como a People mostravam como Meghan Markle cultivava a fama de ser uma generosa patroa — para a história passou até o episódio em que terá brindado o staff mais próximo com uma banca de gelados em pleno Palácio de Kensington. O momento foi recordado na noite de terça-feira pelo britânico The Times, agora para abordar uma faceta menos luminosa da mulher do príncipe Harry, sobre quem sempre pairou a sombra de promover arrufos dentro do clã, de quebrar protocolos, ou de possuir um temperamento capaz de gerar uma debandada: em novembro de 2018, poucos meses depois do casamento de Meghan e Harry, já três assistentes haviam abandonado a casa real.
A escassos dias da famigerada entrevista do casal Sussex a Oprah Winfrey, as temperaturas não descem e o diário faz eco das queixas de antigos assistentes, revelando ainda como Markle enfrentou uma acusação de bullying feita por um dos seus conselheiros mais próximos, durante essa passagem por Kensington. De acordo com o jornal, a queixa remonta a outubro de 2018, antes do afastamento dos Sussex, e foi feita por Jason Knauf, que à época controlava a pasta da comunicação dos duques, e que entretanto passou a colaborar com o casal Cambridge.
Knauf terá dirigido um email a Simon Case, na altura secretário particular de William, depois de ter exposto o assunto a Samantha Carruthers, a responsável máxima pelos Recursos Humanos. Foi assim que a queixa chegou a Clarence House.
As fontes citadas terão contactado o jornal depois de “sentirem que apenas havia emergido uma versão parcial dos dois anos em que Meghan desempenhou funções como membro sénior da família real”, desejando contribuir com a sua visão dos factos em vésperas da transmissão do especial que promete abanar ainda mais a monarquia. De acordo com a acusação, a mulher de Harry terá mesmo afastado da equipa “dois assistentes pessoais e estaria a minar a confiança de um terceiro elemento”.
Jason Knauf, o queixoso, foi um dos convidados do casamento dos Sussex. Era um dos mais próximos do staff de Meghan e Harry © Getty Images
Reagindo ao artigo do The Times, advogados do casal defendem que a história “está a ser usada pelo palácio de Buckingham para dar gás a uma falsa narrativa antes da entrevista deste fim de semana”. “Vamos chamar-lhe o que é: uma calculada campanha de difamação baseada em desinformação”, acrescentam os porta-vozes dos Sussex, enquanto Meghan se terá revelado “entristecida com o ataque de caráter”.
Ao cair de quarta-feira, Buckingham comentava por fim o caso, mostrando “claramente muito preocupado” face a estas acusações. Em comunicado, garantem ainda que “os membros do staff envolvidos naquela altura, incluindo aqueles que abandonaram funções, serão convidados a participar para apurar lições a reter”, avançando assim com uma investigação às queixas. O palácio alude ainda na nota oficial à cultura de dignidade no trabalho que a Casa Real tem mantido e que “não tolera nem irá tolerar bullying ou assédio no trabalho”.
Regressando ao artigo do The Times, os pormenores incómodos não ficam por aqui. Segundo o diário, também em 2018, num jantar formal nas Fiji, a duquesa usou uns brincos que foram um presente de casamento do príncipe herdeiro da Arábia Saudita Mohammed bin Salman, que terá aprovado o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. O evento aconteceu apenas três semanas depois do desaparecimento de Khashoggi no consulado saudita em Istambul, dado que levou os advogados de Markle a garantirem que a duquesa desconhecia a possibilidade de envolvimento do príncipe da coroa no caso. Certo é que as justificações sobre a proveniência dos brincos não foram claras. E há ainda a informação de que Meghan teria ignorado os conselhos da entourage, que desincentivou o uso da joia.
Em novembro de 2018, por ocasião dos 70 anos de Carlos, Meghan Markle voltava a usar os polémicos brincos © Getty Images
Segundo o The Times, a joia Chopard foi um presente de casamento de bin Salman, tendo Kensington recebido instruções para dizer aos media, no rescaldo desse jantar durante a tour dos Sussex à Nova Zelândia, Fiji e Tonga, que os brincos haviam sido “emprestados” — houve mesmo quem adiantasse que o empréstimo tinha sido feito por um joalheiro. Advogados do casal retificaram entretanto que poderá ter havido má interpretação da história e que Meghan nunca terá referido que a peça foi cedida por joalheiros: sucede que todos os presentes dados a membros da família real passam oficialmente a ser propriedade a Coroa, portanto tratar-se-ia de um empréstimo feito pela Coroa.
Facto é que, segundo o The Telegraph, Meghan voltou a usar o mesmo acessório em novembro de 2018, por ocasião do 70º aniversário do príncipe Carlos, celebrado em Buckingham.