A Audi começou a entregar aos primeiros clientes portugueses o seu novo e-tron GT, a berlina eléctrica topo de gama que foi concebida como “irmã” gémea do Porsche Taycan, para partilhar custos. A plataforma é a mesma, a J1, tal como os motores eléctricos, o sistema eléctrico a 800 V, o sistema de gestão de energia e até mesmo a própria bateria, com 93,4 kWh de capacidade útil, 83,7 kWh utilizável.

Ainda que partilhando plataforma e o banco de órgãos do Grupo VW, a Audi deu uma orientação ligeiramente diferente ao seu e-tron GT, dotando-o com linhas agradáveis, mas um pouco mais comprido (2,6 cm) e mais alto (3,2 cm). Isto permite à nova berlina eléctrica exibir um habitáculo mais espaçoso e confortável, pela maior altura interior, que beneficia igualmente a capacidade das duas bagageiras, com o Audi a beneficiar de uma frunk com 85 litros à frente e 405 atrás, em vez dos 81 e 366 litros do Taycan. Curiosamente, é o e-tron GT que beneficia das vias mais largas, o que favorece o comportamento, ganhando 0,8 cm à frente e 2,7 cm atrás.

e-tron GT quattro há dois (para já…)

A actual oferta da berlina eléctrica desportiva da Audi é constituída por duas versões, a menos e a mais possante, sendo a primeira denominada e-tron GT quattro, para a segunda assumir a designação RS e-tron GT quattro. Ambas montam exclusivamente a bateria de maior capacidade, aquela com uma capacidade de 83,7 kWh úteis, ao contrário do Taycan que tem versões com apenas 71 kWh, que anunciam autonomias inferiores para conseguir preços mais baixos.

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Outra das áreas em que a Audi não fez concessões foi a dos motores, uma vez que todos os e-tron GT usufruem de duas unidades eléctricas, uma à frente menos potente e com uma transmissão de uma velocidade, para na traseira estar instalada a segunda unidade motriz, mais potente e com duas velocidades. A utilização de dois motores, ao contrário do Taycan que instala apenas um (atrás) na versão mais barata, permite ao e-tron GT usufruir das vantagens da tracção integral, o que é bom para o comportamento e segurança.

Equipados com um sistema eléctrico a 800 V, todos os e-tron GT recarregam com potências de até 270 kW, em DC, para extraírem 11 kW em AC, podendo opcionalmente atingir 22 kW nestas condições. Contudo, esta será uma vantagem que apenas se materializará quando existirem carregadores com este nível de potência.

O e-tron GT mais calmo já impressiona

A mais acessível destas berlinas eléctricas desportivas da Audi, o e-tron GT quattro, monta à frente um motor com 238 cv, para na traseira surgir um outro com 435 cv, de forma a garantir um total de 476 cv e um binário de 630 Nm instantâneo, como é habitual nos veículos eléctricos. Com o recurso ao sistema overboost, que na fase de arranque parado confere mais potência durante um período de 2,5 segundos – em tudo similar ao Taycan –, o GT ganha 54 cv, elevando a potência para 530 cv.

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Esta versão do e-tron GT é equivalente ao Taycan 4S com bateria Performance Plus, que anuncia 570 cv e uma velocidade máxima de 250 km/h, apenas mais 5 km/h do que os 245 km/h do e-tron menos possante, para depois reivindicar 0-100 km/h em 4,0 segundos, menos 0,1 segundos do que o GT. Contudo e equipado com os mesmos pneus do Taycan 4S (225/55 R19 à frente e 275/45 R19 atrás), o e-tron GT reivindica 488 km de autonomia, contra 464 km do Porsche equivalente, isto apesar de o Audi ser 56 kg mais pesado (2.351 kg), provavelmente pelas soluções mais envolventes e refinadas que caracterizam o seu interior.

O e-tron GT quattro é proposto por 106.618€, cerca de 10 mil euros menos do que o Taycan 4S equivalente, com a SIVA, o importador da marca para o nosso país, a antecipar que esta versão deverá conquistar 60% a 70% das vendas, estimando que o e-tron GT atinja o mesmo volume total do Taycan.

RS e-tron GT quattro é o trunfo da gama

A versão mais potente do novo e-tron GT é o RS. Mantém o motor de 238 cv à frente, mas permite ao traseiro elevar ligeiramente a potência para 456 cv, o que garante um acumulado de 598 cv e 830 Nm de torque. Depois é o overboost que durante 2,5 segundos eleva a potência para 646 cv, aproximando o Audi do Taycan Turbo, que usufrui de 680 cv com overboost, apenas mais 34 cv do que o seu “irmão” gémeo.

Com o incremento da potência, o RS e-tron GT autolimita-se a 250 km/h, para não invadir o território da Porsche, mas ultrapassa a fasquia dos 100 km/h em apenas 3,3 segundos, ficando mais uma vez a 0,1 segundos do Taycan Turbo equivalente. Isto apesar dos 42 kg que este RS acusa a mais quando colocado sobre a balança.

Se não há grande diferença na capacidade de aceleração, já o mesmo não acontece na autonomia. A Porsche anuncia 452 km para o Taycan Turbo, em WLTP, contra os 472 km do RS e-tron GT, que é proposto por 145.878€, contra os 158.959€ do Taycan. A Audi oferece assim uma bela berlina eléctrica de cariz desportivo e com diferenças marginais para o Taycan, o que é positivo para a imagem da marca dos quatro anéis, mas não tanto para a Porsche, de quem é pressuposto esperar mais.