Os bispos católicos portugueses acompanham “muito de perto” a situação em Cabo Delgado, Moçambique, onde grupos terroristas têm aterrorizado a população desde 2017, disse esta  o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

Se a pandemia [de Covid-19] em curso provoca graves crises em todos os países, esses dramas são mais agudos quando se conjugam com desastres naturais, como recentemente em Timor, ou com situações de terrorismo e de guerra, presentes em várias partes do mundo, concretamente na província de Cabo Delgado em Moçambique”, afirmou o bispo José Ornelas.

O também bispo de Setúbal discursava na 200.ª Assembleia Plenária da CEP, que começou em Fátima, no concelho de Ourém, de forma presencial e online.

Acompanhamos muito de perto esta última situação, contribuindo com a ajuda das nossas dioceses e outras instituições para minorar os efeitos dramáticos da crise humanitária”, garantiu José Ornelas, segundo o discurso distribuído à comunicação social.

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O presidente da CEP adiantou que a Igreja Católica portuguesa apoia “vivamente os esforços do Governo português, da União Europeia e de organizações internacionais, para que, em colaboração com o governo moçambicano, se possam encontrar meios de auxílio às populações e assegurar condições de paz e segurança na região“.

Grupos armados aterrorizam Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo ‘jihadista ‘ Estado Islâmico, numa onda de violência que já provocou mais de 2.500 mortes, segundo contas feitas pela Lusa, e 700.000 mil deslocados, de acordo com dados das Nações Unidas.

O mais recente ataque foi feito em 24 de março contra a vila de Palma, provocando dezenas de mortos e feridos, num balanço ainda em curso.

As autoridades moçambicanas recuperaram o controlo da vila, mas o ataque levou a petrolífera Total a abandonar por tempo indeterminado o recinto do projeto de gás com início de produção previsto para 2024 e no qual estão ancoradas muitas das expectativas de crescimento económico de Moçambique na próxima década.