A embaixada de Espanha em Rabat lançou esta segunda-feira uma campanha para desencorajar as tentativas de entrada ilegal em Ceuta e Melilla, após novos apelos começarem a circular nas redes sociais para travessias durante as eleições marroquinas de quarta-feira.
“Entrar em Espanha de forma irregular por Ceuta e Melilla não garante o direito de acesso à península ibérica, de permanecer em Espanha ou de circular livremente pelo resto da União Europeia”, refere a embaixada de Espanha em Marrocos na campanha online.
“Não se deixem enganar por informações falsas. A recente decisão do Supremo Tribunal clarifica o procedimento para quem entra por via marítima. Não modifica a Lei da Imigração. Não declara ilegais as recusas de entrada nas fronteiras. Não impede o regresso”, acrescenta a campanha, que está também a ser partilhada nas contas de vários consulados espanhóis no país norte-africano.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da União Europeia e da Cooperação espanhol, José Manuel Albares, também avançou que o seu ministério ativou “mecanismos preventivos” para combater os apelos que circulam nas redes sociais.
A iniciativa coincide com os apelos nas redes sociais para uma nova travessia irregular para Ceuta no dia 23, para coincidir com as eleições legislativas em Marrocos.
As redes sociais tiveram um papel fundamental na crise migratória do final de julho no enclave espanhol de Ceuta, situado no norte de África, quando mais de 70 mil pessoas entraram ilegalmente em território europeu através de Marrocos.
Embora a maioria dos migrantes irregulares tenha regressado a Marrocos, vários milhares, na sua maioria jovens, permanecem na cidade espanhola.
A crise, que criou grande tensão nas relações entre Madrid e Rabat, resultou em pelo menos 140 mortes, segundo organizações da sociedade civil.
Durante o fim de semana, imagens de centenas de migrantes, na sua maioria oriundos da África Subsariana, rondando as zonas junto à fronteira com Ceuta, circularam nas redes sociais.
A crise desencadeou uma grande instabilidade na região, até porque em Ceuta vivem apenas cerca de 80 mil pessoas, mas também na Europa, com vários países a defender uma suspensão do acordo de livre circulação Schengen com Espanha.
Em Marrocos, que tem sido acusado de ter usado a migração como instrumento de desestabilização, a reação institucional e política foi limitada, com as autoridades a demorarem quatro dias para emitir um comunicado rejeitando qualquer responsabilidade.
Esta não foi a primeira vez que a migração irregular para Ceuta desencadeou uma crise entre Madrid e Rabat.
Em 2021, cerca de 10.000 pessoas atravessaram irregularmente para a cidade espanhola.
Na altura, Marrocos relacionou a tensão com a decisão de Espanha permitir que Brahim Ghali (77 anos), líder da Frente Polisário, recebesse tratamento em território espanhol após contrair covid-19.