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Não é o que se deseja, mas se a festa da potencial vitória do Sporting começar a correr mal, se a confusão se tornar incomportável e se as pessoas começarem a desrespeitar as regras repetidamente, a PSP tem equipas de prevenção prontas para ir para o terreno ajudar as que já lá estão. A ideia é sempre atuar de acordo com o princípio da proporcionalidade. Mas se vários avisos para colocar a máscara ou parar de beber álcool não forem suficientes, o fim da festa é na esquadra.

Se existir um incumprimento das diversas ordens emanadas pelo polícia, a pessoa estará em incumprimento e está a cometer um crime de desobediência”, explica o Comissário Artur Serafim ao Observador.

A polícia está, ainda assim, otimista. “Antevemos essa possibilidade [de pedir reforços de equipas], mas não acreditamos que possa existir essa necessidade de recrutamento de mais meios. Acreditamos que vai correr tudo de forma tranquila”, diz ao Observador o porta-voz do Comando Metropolitano de Lisboa, adiantando que “há uma possibilidade muito forte de haver ajuntamentos“.

Festas deste género não são novas. Estas questões também se colocaram no ano passado, com a conquista do título pelo FC Porto e os festejos a acontecerem principalmente a norte do país. Em Lisboa, com pandemia, é novidade. “Tivémos a Liga dos Campeões, mas não se compara com esta magnitude que pode existir hoje”, aponta o Comissário. Por isso, além de manter a ordem pública e acompanhar todo o percurso do autocarro com a equipa do Sporting, a PSP tem três preocupações acrescidas: distanciamento de dois entre as pessoas, uso de máscara quando esse distanciamento não for possível e proibição de consumo de álcool na via pública.

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Ainda assim, os meios mobilizados para esta terça-feira “provavelmente seriam os mesmos” com pandemia ou sem pandemia. “Poderia é estar disposto no terreno de outra forma, já que os festejos provavelmente seriam diferentes”, explica o Comissário. Apesar da grande mobilização de agentes das várias valentes do Comando Metropolitano de Lisboa e da Unidade Especial de Polícia, não foi preciso recorrer a polícias de outros comandos, nem àqueles que estavam de folga.

Já há alguns meses que a PSP vinha a fazer uma análise ao calendário desportivo. Mas foi na manhã seguinte à vitória do Sporting frente ao Rio Ave, na passada quarta-feira, que se reuniu com a Câmara de Lisboa e com a organização do evento para começar a preparar a eventual festa. A partir desse momento, a vitória dos leões no campeonato português era cada vez mais uma possibilidade. E, com isso, vinha a festa.

Primeiro, foi feito um plano para segunda-feira — o que implicava uma organização diferente, já que a equipa não ia estar no Estádio de Alvalade. Este plano foi por água abaixo quando o Porto venceu o Farense. O próximo dia possível passou a ser esta terça-feira. Caso o Sporting não vença hoje, será planeada uma nova operação para sábado. “Temos estado a fazer uma análise constante aos resultados, nomeadamente já para ontem. Para hoje, temos algo mais concreto. Se não for hoje, vamos fazer uma nova avaliação e planear para caso de ser no sábado”, explicou.

Festa sem roulotes, nem Marquês, nem álcool nas ruas. As indicações da PSP para a festa do Sporting

Numa conferência de imprensa horas antes do jogo do Sporting, a PSP alertou que os ajuntamentos estão proibidos e que as pessoas devem manter o distanciamento físico e usar máscaras. O intendente Domingos Antunes lembrou ainda que o consumo de bebidas alcoólicas na via pública ainda é proibido. O Observador compilou os principais avisos da PSP para que os festejos decorram em segurança, assim como as principais limitações ao trânsito e transportes.

Percurso do desfile a partir da meia-noite

Os dois autocarros vão sair do estádio José Alvalade — nunca antes da meia-noite, alertou o intendente da PSP — e seguir em direção à Praça do Marquês de Pombal, passando pelo Campo Campo, Entrecampos, Avenida da República, Saldanha e Avenida Fontes Pereira de Melo. Na chegada ao Marquês, o autocarro dará a volta e fará o percurso inverso sem qualquer paragem.

Não haverá paragens, nem contacto com os jogadores

A PSP lembrou que todos os locais ao longo do percurso serão tão bons como qualquer outro para observar o desfile, porque os autocarros não farão qualquer paragem e porque não haverá festejos na Praça do Marquês de Pombal. O intendente Domingos Antunes sugeriu ainda às pessoas que possam fazê-lo para verem o desfile a partir da janela. O oficial da polícia avisou que os autocarros terão uma forte escolta policial para evitar que os adeptos se aproximem das viaturas.

Trânsito condicionado após 19 horas

O condicionamento do trânsito será feito a partir das 19 horas, a partir do Saldanha e até à Praça do Marquês de Pombal e nas avenidas adjacentes. A partir do momento em que inicie o desfile, a circulação automóvel fica proibida no Campo Grande, em toda a Avenida da República, no Saldanha, na Avenida Fontes Pereira de Melo e no Marquês de Pombal.

Estações de Metro fechadas a partir das 22h30

As estações de Metro do Rossio ao Marquês de Pombal, na linha Azul, vão estar encerradas a partir das 22h30, hora do final do jogo, disse o intendente Domingos Antunes. O site da Metro Lisboa informa que a estação do Marquês estará encerrada a partir das 20h30.

Consumo de álcool proibido na via pública

A PSP reforça que o consumo de álcool na via pública está proibido e que as pessoas terão de deitar fora as bebidas sempre que interpeladas pela polícia. Por outro lado, o intendente Domingos Antunes referiu na conferência de imprensa que os cafés e restaurantes terão de fechar às 22h30, por força das normas do estado de calamidade, e que não haverá roulotes, nem venda ambulante.