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Bryan Adams, o neurocientista português António Damásio ou Marcelo Rebelo de Sousa. São várias as personalidades que vão marcar o primeiro aniversário da Fundação José Neves (FJN), que decorre nesta quarta-feira, no Porto, a partir das 14h30. A fundação foi lançada em 2020 pelo presidente da Farfetch — plataforma de moda de luxo que foi o primeiro unicórnio (empresa avaliada em mais de mil milhões de dados) com origem em Portugal –, que se comprometeu a doar dois terços da sua fortuna à mesma.

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O evento desta quarta-feira conta ainda com a presença de Carlos Oliveira e António Murta, cofundadores da FJN, Pedro Morgado, professor de Psiquiatria e Comunicação Clínica na Universidade do Minho, João Cerejeira, professor e investigador em Economia na Universidade do Minho, Ana Balcão Reis, professora e presidente do Conselho Pedagógico na Nova SBE, Erick Fernholm, cofundador da Fundação 29k, Fátima Lopes e Catarina Furtado.

O neurocientista António Damásio e o cantor Bryan Adams participam no evento para partilhar informação e conhecimento sobre a importância da educação e a aposta no desenvolvimento pessoal. No evento, foi também apresentado o primeiro “Estado da Nação” sobre educação, emprego e competências em Portugal, onde a fundação analisa a transformação destas dimensões na última década e o impacto recente da pandemia Covid-19.

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Na sua intervenção, que foi feita através de um vídeo gravado previamente ao evento, o Presidente da República começou por elogiar a FJN. É “um compromisso com o país e com o futuro”, disse o chefe das Forças Armadas. “Importa reconhecê-lo [a criação da Fundação] com esperança e gratidão”, adiantou.

Marcelo Rebelo de Sousa focou as suas palavras no estudo apresentado. “O mundo mudou no passado recentemente mais do que no passado antes”, referiu. Segundo o governante, este relatório mostra que “é preciso assumir o que vai mudar e prepararmo-nos para o futuro” porque revela que há “há um mar de desafios”. Porém, o Presidente afirma: “Não tenho dúvIdas de que somos [os portugueses] capazes” de superar estes obstáculos.

Quantos às metas da fundação, diz que “em 2040” já não será Presidente da república — “deixarei de ser em 2026”. “Quem sabe se estarei vivo” brinca. “Se estiver” diz que quer ver os resultados, elogiando o compromisso da FJN.

Adultos portugueses sem ensino secundário são mais do dobro da média europeia

De seguida, foi o neurocientista António Damásio que, presencialmente, falou no evento. Num discurso inicial, a que se seguiu uma conversa com José Neves, o especialista referiu que estamos a vivenciar ““problemas que são habituais numa sociedade do séc. XXI”, mas que foram exponenciados com a pandemia de Covid-19.

A nossa concepção de vida está dominada por aquilo que vemos à nossa volta. Aquilo que vemos de bom ou de mau tendemos a ver como uma espécie de empecilho e não uma mais valia”, disse António Damásio.

Quanto às tecnologias que têm ajudado a ultrapassar a pandemia, referiu que “uma projeção daquilo que é a nossa vida”. O neurocientista falou também dos problemas que advém de “suprimir a emoções”, porque podem levar à “violência”. “Tudo o que podermos fazer para valorizar os sentimentos e ligar à vida fundamental (…) são coisas que se devem fazer”, alertou.

António Damásio deixou também uma mensagem sobre “uma educação que esteja alerta e atenta para aquilo que a vida moderna nos dá”. “Vale a pena ter uma pedagogia educativa que valorize o afeto, e não só o sucesso (…), [que valorize] a capacidade de ter compaixão”, afirmou. Por fim, deixou também uma nota “optimista”, como se caracteriza. De acordo com o neurocientista, “os portugueses têm uma enorme capacidade de se conhecerem a eles próprios”. Porém, têm de “escutar calmamente algumas das lições da ciência”.

O estudo da FJN revelou que a percentagem de adultos portugueses que não terminaram o ensino secundário (47,8%) é mais do dobro da média europeia (21,6%). Este é o valor mais baixo entre os países que compõem a União Europeia. Além disso, o relatório também concluiu que a  “população portuguesa tem o maior défice de qualificações da União Europeia” e que os homens ganham até mais 38% do que as mulheres.

Além deste estudo, a FJN apresentou um programa e uma aplicação de desenvolvimento pessoal baseado em ciência, tecnologia e psicologia, para despertar a consciência individual e promover o bem-estar, saúde mental e equilíbrio emocional.

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*Artigo atualizado às 16h32 com declarações de Marcelo Rebelo de Sousa e António Damásio.