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Joan Morris foi esta sexta-feira ao local onde o filho de 14 anos foi assassinado, no bairro de Kingstanding, na cidade inglesa de Birmingham — a pouco mais de 200 quilómetros de Londres. “Disse ao meu filho para ir jogar futebol e ele não voltou para casa”, referiu, numa declaração emocionada aos jornalistas, para depois perguntar: “Quantas mais mães terão de chorar pelos seus filhos para que isto acabe?

É que, apesar das muitas dúvidas quanto ao móbil do crime, está a ser investigada a possibilidade de haver uma motivação racial por detrás do homicídio de Dea-John Reid, que morreu na segunda-feira depois de ter sido esfaqueado. Embora a polícia britânica tenha afastado inicialmente esta hipótese, mais tarde viria a revelar que “houve um incidente com Dea-John e os seus amigos pouco antes do homicídio” que terá “escalado rapidamente, resultando na trágica morte”.

“Durante esse incidente, foi usada linguagem racista contra Dea-John Reid e os seus amigos. Isso agora está a ser investigado”, adiantou o inspetor-chefe Stu Mobberley da Polícia de West Midlands à Sky News.

A investigação ainda está, no entanto, numa fase muito inicial e a polícia está a receber e a avaliar “novas informações” que lhes vão chegando. “Ainda estamos a apelar para que testemunhas, qualquer pessoa que tenha visto ou ouvido algo que possa ajudar a nossa investigação, entre em contacto para que possamos construir uma imagem clara do que aconteceu“, pediu o inspetor-chefe Stu Mobberley.

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Um dos apelos que a polícia faz diz respeito a um carro que a investigação acredita que terá sido usado “durante o ataque”, segundo informa no site. “Acreditamos que os suspeitos chegaram e saíram do local do crime por volta das 19h30 num Volkswagen Golf azul escuro com a matrícula TN07 GBR”, lê-se no comunicado onde a polícia divulgou a imagem do carro em causa:

O Volkswagen Golf azul escuro com a matrícula TN07 GBR que a polícia está a tentar localizar

Localizar este carro “pode ser crucial”. “Precisamos mesmo de localizar este Volkswagen Golf e peço a qualquer pessoa que possa ter visto o carro ou saiba de seu paradeiro que entre em contacto connosco”, lê-se no comunicado da polícia.

Para já, a polícia acredita que Dea-John Reid tenha sido perseguido até College Road, no bairro de  Kingstanding, antes de ser esfaqueado, segundo explica no seu site. A ambulância chegou ao local às 19h35 de segunda-feira. O óbito foi declarado no local, pouco tempo depois, escreve ainda a Sky News. A autópsia revelou que o jovem de 14 anos morreu devido a uma facada no peito.

Dois dias depois do crime, na quarta-feira, a polícia revelou que seis pessoas tinham sido detidas: quatro homens na casa dos 30 anos e dois meninos de 13 e 14 anos. Na terça-feira, três desses detidos foram acusados do homicídio: George Khan, de 38 anos, Michael Shields, de 35 e o jovem de 14 anos cujo nome não foi divulgado por ser menor de idade.

Esta sábado, a polícia adiantou que mais dois jovens foram detidos por suspeitas de estarem envolvidos no esfaqueamento fatal de Dea-John Reid: um tem 14 anos e é natural da cidade de Wolverhampton e outro tem 16 e vive num bairro a norte de Birmingham. No entanto, ainda vão ser interrogados e não foram acusados para já.