Algumas áreas do comércio foram das mais afetadas pela crise económica provocada pela pandemia e medidas de confinamento. Sectores como comércio de roupa e calçado, artigos para casa, restaurantes, livros ou eletrónica sentiram o impacto do encerramento forçado de espaços comerciais e das restrições impostas à circulação dos consumidores. Por outro lado, o sector da distribuição e comércio alimentar manteve ou mesmo reforçou níveis de vendas.

O indicador de confiança dos comerciantes refletiu de forma imediata e ampla as primeiras restrições, em Abril de 2020, com uma queda forte. Nesse mês, registou-se o valor mais baixo do indicador pelo menos dos últimos 13 anos — ultrapassando os valores negativos que se tinham registado nas anteriores recessões que ocorreram durante a crise financeira e a crise das dívidas. Em maio deste ano estava em –0,6, enquanto em maio de 2020 estava em –28,9.

Depois da queda abrupta, a confiança do sector do comércio foi evoluindo ao sabor dos confinamentos e desconfinamentos decretados pelas autoridades. Recuperou no Verão de 2020 para voltar a ceder no final do ano e início de 2021. A recuperação continuada revela a expectativa do fim das maiores restrições económicas e sociais e o regresso à normalidade. Em Maio, o indicador já se aproximava do ponto neutro (os referidos –0,6) em que as opiniões positivas e negativas dos gestores e responsáveis do sector se equivaliam.

O Indicador de Confiança do Comércio é obtido a partir de inquéritos de opinião regulares que o Instituto Nacional de Estatística faz a gestores e responsáveis de empresas do sector.

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A medida apresentada é o Saldo das Respostas Extremas — diferença entre a percentagem de inquiridos que dá respostas de valoração positiva e respostas de valoração negativa — e reflete avaliações sobre as vendas dos últimos três meses, expectativa sobre a atividade dos três meses seguintes e nível de stocks.

Este artigo faz parte de uma série chamada “Pandemia em Números”, onde se analisa a economia portuguesa na sequência da Covid-19. Trata-se de uma parceria entre o Observador, a Fundação Francisco Manuel dos Santos e a Pordata.