A Associação Portuguesa de Serviços Técnicos para Eventos (APSTE), que organiza um protesto na quarta-feira, em Lisboa, calcula que as empresas que trabalham para espetáculos vão ter prejuízos superiores aos cem milhões de euros estimados em 2020.

O ano ainda está a ser pior do que o ano passado“, afirmou à agência Lusa o presidente da direção da APSTE, Pedro Magalhães, tendo em conta a obrigatoriedade de testagem à Covid-19 para acesso a eventos culturais e perante o panorama de cancelamentos de espetáculos.

A APSTE marcou para quarta-feira um protesto em Lisboa, a partir da rotunda do Marquês de Pombal, contra a medida decretada pelo governo, de obrigatoriedade de realização de testes de diagnóstico para os espectadores acederem a eventos.

Nós somos a favor das testagens, mas não desta forma discriminatória. Deve ser feita uma testagem em massa, mas para o nosso dia-a-dia, para ir a um restaurante, para ir a um centro comercial, para estarmos junto das outras pessoas. (…) As pessoas não vão fazer teste só para ir a um espetáculo. Vão evitar”, lamentou a APSTE.

Além dos prejuízos já calculados para as empresas de audiovisuais — que fornecem os equipamentos para os espetáculos — Pedro Magalhães fala em “aflição” se as moratórias terminarem em setembro, porque as entidades estão “muito endividadas“, por investimentos regulares em renovação de equipamento.

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Ao protesto organizado pela APSTE associam-se outras associações do setor cultural, nomeadamente a Associação Espetáculo — Agentes e Produtores Portugueses, a APEFE — Associação Promotores Espectáculos, Festivais e Eventos e a APORFEST — Associação Portuguesa dos Festivais de Música.

“Havia alguns espectáculos de verão, estavam a ser marcados e a dar um ânimo às empresas, mas quando foi comunicada esta obrigatoriedade de testagem, imensos espetáculos foram cancelados até de municípios, que são os principais promotores de espetáculos“, lamentou o responsável da APSTE.

No verão do ano passado, que já decorreu sem os habituais festivais, a APORFEST estimou uma perda de cerca de 1,6 mil milhões de euros, de impacto do setor na economia, contra os dois mil milhões originados em 2019. A associação também lamentou que a Direção-Geral da Saúde, com a qual tem tido reuniões regulares desde janeiro, não tenha ainda divulgados conclusões dos eventos-piloto realizados em abril e maio em Braga, Coimbra e Lisboa.

Este mês, a Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) esclareceu que é “obrigatória” a realização de testes à Covid-19 nos eventos culturais, quando o número de espectadores for superior a mil, em espetáculos ao ar livre, e a 500, em espaços fechados.

A APSTE volta a realizar um protesto depois de em 2020 ter ocupado o Terreiro do Paço, em Lisboa, com caixas negras de transporte de equipamento, e de ter colocado uma faixa central da Avenida dos Aliados, no Porto, contra o imperativo dos despedimentos provocado pela Covid-19.