Mãos levantadas em êxtase, sorriso alegre e uma bandeira que (finalmente) esvoaçou no pódio olímpico. Que dia teve Abdullah Al-Rashidi, atleta do Kuwait, que aos 58 anos alcançou o segundo bronze consecutivo nos Jogos Olímpicos em Skeet.

Segundo a AP, a felicidade era tanta que Al-Rashidi até quebrou as regras e o protocolo, ao mostrar a bandeira do seu país antes da apresentação das medalhas. Tamanho contentamento tem uma justificação bastante plausível para querer e ter mostrado a sua bandeira com tanto orgulho: é que no Rio de Janeiro, em 2016, subiu ao pódio sem ela.

Aliás, no Brasil, nem foi como atleta do Kuwait, visto que o comité olímpico do país foi suspenso pelo Comité Olímpico Internacional depois de interferência governamental no organismo. Assim, Al-Rashidi, entre outros, competiram sob a bandeira dos independentes. Claro que não havia uniforme, pelo que o atleta ganhou uma medalha com uma camisola do Arsenal, equipa de futebol inglesa. Nessa ocasião, o atirador ficou de cabeça baixa no pódio durante a cerimónia de entrega das medalhas. “Não gostei de ver a bandeira olímpica, precisava de ver a minha”, afirmou na altura.

Em 2016, como se vê na fotografia, vestiu uma camisola do Arsenal

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“Estou tão contente por ver a bandeira do Kuwait e ganhar a minha segunda medalha olímpica”, afirmou Abdullah Al-Rashidi, que já se sagrou campeão mundial por três vezes e, segundo a AP, dedica o seu tempo livre ao treino de falcões.

“Todos me adoram porque sou velho e me veem nos Jogos Olímpicos”, atira Al-Rashidi, que acertou em 46 alvo num total de 60, enquanto competia com adversários significativamente mais novos.

Mas o atleta de 57 anos tinha mais motivos para estar feliz com esta ida a Tóquio. Afinal, juntou-se a ele o filho de 28 anos, Talal, que vai competir também no tiro, mas na disciplina de Trap.

Uma história de amor, não só ao desporto (e à família), como ao país e àquilo que os Jogos Olímpicos de bom representam.