O Alto Representante da União Europeia para a Política Externa disse esta serça-feira seguir “com a maior atenção” a instabilidade na Tunísia, onde o parlamento foi suspenso e o governo destituído, pedindo o regresso da estabilidade institucional e contenção da violência.

Milhares de manifestantes protestam contra a classe política na Tunísia

“A União Europeia está a acompanhar com a maior atenção os desenvolvimentos na Tunísia. Os fundamentos democráticos do país, o respeito pelo Estado de direito, a Constituição e o quadro legislativo devem ser preservados, mantendo-se atentos aos desejos e aspirações do povo tunisino”, salienta o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrel, numa posição divulgado esta terça-feira.

Josep Borrell exorta “ao restabelecimento da estabilidade institucional o mais rapidamente possível e, em particular, à retomada da atividade parlamentar, ao respeito pelos direitos fundamentais e à abstenção de todas as formas de violência”.

Presidente tunisino suspende parlamento, destitui primeiro-ministro e exonera ministros da Defesa e da Justiça

“Continuaremos a acompanhar de perto a evolução da situação, recordando ao mesmo tempo o apoio considerável da UE e dos seus Estados-membros à Tunísia no contexto de uma grande pandemia e crise económica”, adianta o responsável. O Alto Representante da UE vinca ainda que “a preservação da democracia e da estabilidade no país são prioridades“.

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Na segunda-feira, o Presidente tunisino exonerou dos ministros interinos da Defesa e Justiça, Ibrahim Bartaji e Hasna Ben Slimane, respetivamente, horas depois de destituir o primeiro-ministro, Hichem Mechichi, e suspender o parlamento por um período de 30 dias.

As duas pastas vão ser dirigidas por secretários-gerais ou por responsáveis de assuntos administrativos e financeiros dos respetivos departamentos até à designação de um novo primeiro-ministro e a formação de um novo executivo, indicou a Presidência tunisina em comunicado.

Na primeira reunião, depois da dissolução da Assembleia, a mesa do parlamento considerou as medidas de Saied um “odioso golpe de Estado”, e exortou o Exército e as forças de segurança a “respeitarem o juramento e proteger a Constituição e preservar o Estado e as instituições”.

Em 2011, a Tunísia iniciou a transição democrática com a designada “Revolução do jasmim”, que levou ao fim do regime de Zine El Abidine Ben Ali, no poder há duas décadas, e originou um total de dez Governos, incapazes de solucionar a grave crise económica e social do país.