As medidas de prevenção da transmissão de SARS-CoV-2 devem manter durante as campanhas de vacinação de forma a minimizar o risco de surgimento de novas variantes, conclui um estudo publicado na revista científica Scientific Reports.

As simulações feitas no estudo coordenado pelo Instituto de Ciência e Tecnologia da Áustria permitiram concluir, sem surpresa, “que uma rápida taxa de vacinação diminui a probabilidade de surgimento de uma variante resistente”.

Porém, quando ao modelo se juntou o relaxamento das medidas de prevenção, mesmo que no final da campanha de vacinação, “a probabilidade de aparecimento de uma variante resistente era muito aumentada”, sobretudo quando a taxa de transmissão comunitária se mantinha alta.

Um dos principais resultados é que o risco é maior quando uma grande fração da população foi vacinada, mas a transmissão também é alta. Que é a situação em que nos encontramos neste momento”, disse John Edmunds, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM), num comentário ao artigo.

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O professo no Centro de Modelos Matemáticos de Doenças Infecciosas da LSHTM, que não participou no estudo, lembra que se trata de um modelo e que o mundo real é mais complexo, mas é importante porque destaca potenciais riscos.

O que os investigadores propõem é que “os decisores políticos e as pessoas mantenham as intervenções não farmacológicas [como uso de máscara] e os comportamentos que reduzam transmissão [como distanciamento] durante todo o processo de vacinação”.

Portugal anunciou, esta quinta-feira, que as medidas de prevenção da pandemia iriam ser aliviadas em função da vacinação, incluindo o uso de máscaras e a lotação dos espaços interiores.

Edward Hill, investigador em Epidemiologia Matemática na Universidade de Warwick, também não participou no estudo e destaca que, tal como os autores referem, a vacinação previne o surgimento de novas variantes e que isso reforça a importância de uma distribuição mais equitativa das vacinas no mundo.

“Podem existir benefícios adicionais de lutarmos por uma distribuição equitativa das vacinas em todo o mundo além da proteção conferida pelas vacinas àqueles que a recebem”, diz.

O surgimento de novas variantes numa população vacinada quando a transmissão comunitária é alta pode até ser maior do que numa população largamente não vacinada, diz Peter English, antigo consultor de Prevenção de Doenças Comunicáveis. Isto porque uma nova variante encontrará mais competição quando há mais circulação do vírus e de variantes numa população não vacinada do que entre pessoas vacinadas, mas as vacinadas não estão totalmente protegidas da transmissão.