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A Toyota, à semelhança dos outros grandes construtores mundiais, está de olho nos veículos autónomos, sem dúvida a tecnologia mais importante e complexa de que se fala hoje em dia. Complexa, porque é difícil e dispendiosa de aperfeiçoar (e de produzir), sendo importante porque, se alguém a controlar antes da concorrência, terá uma vantagem inegável perante o público e, sobretudo, em relação às empresas que a querem utilizar para prescindir de condutores em veículos de transporte, urbanos ou não.

Desejosa de estar na liderança também nesta tecnologia, ou não fosse este construtor aquele que mais veículos comercializa no mundo, a Toyota aproveitou os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2020 em Tóquio, que a pandemia fez derrapar para 2021, para exibir o actual estágio de evolução dos seus veículos autónomos, através do e-Palette, uma espécie de micro-autocarro eléctrico e sem condutor.

Apesar do palco montado para o e-Palette ser o ideal para demonstrar o potencial do sistema da Toyota sem condutor, ainda que sem público presente para apreciar as proezas – os vídeos encarregar-se-iam disso –, a tarefa do construtor japonês complicou-se devido a um acidente que mandou para o hospital um atleta paraolímpico. Aramitsu Kitazono, um judoca cego japonês que competia na categoria nos 81 kg, atravessava a passadeira quando surgiu o e-Palette, vindo de um cruzamento em T. O veículo autónomo não se terá apercebido de Kitazono e atropelou-o, provocando-lhe cortes e nódoas negras que o impediram de participar nos Jogos Paraolímpicos.

Akio Toyoda, o CEO da Toyota, marca que adquiriu a divisão de veículos autónomos da Lyft em Julho de 2021, depois de já ter investido na Uber em 2019, com o mesmo objectivo, apressou-se a “lamentar o acidente”, tendo concluído que “isto prova que os veículos autónomos não são ainda realistas para estradas normais”.

Desconhecendo as condições do acidente, é difícil perceber o que terá falhado, tanto mais que qualquer veículo moderno, mesmo sem ser autónomo, não deveria atropelar um peão, seja ou não na passadeira, sobretudo quando circula a baixa velocidade, como acontece com o e-Palette. Resta esperar que, com a ajuda da tecnologia da Lyft, os veículos autónomos da Toyota possam regressar rapidamente às demonstrações (e testes) na via pública.

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