Dominic Thiem chegou à final de Roland Garros em 2018 e 2019, esteve na final do Open da Austrália em 2020 e nesse mesmo ano conquistou o US Open, alcançando a primeira conquista num Grand Slam e cimentando-se ainda mais como um dos nomes mais proeminentes no mundo do ténis pós-Federer, Nadal e Djokovic. Até que, em 2021, foi forçado a parar um percurso que parecia ter como direção única um sentido ascendente.

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Com uma insistente lesão no pulso, caiu na quarta ronda do Open da Austrália, na primeira de Roland Garros e nem sequer foi aos Jogos Olímpicos ou a Wimbledon, acabando por anunciar que não iria voltar a jogar até ao final da temporada para recuperar por completo — tanto física como psicologicamente, já que acabou por revelar que havia “caído num buraco” com a pandemia de Covid-19. Agora, Dominic Thiem já só pensa em voltar.

“Não acho que ter parado tenha sido uma coisa má. Claro que não quero estar lesionado mas joguei tanto ao longo dos anos, treinei tanto, que já não estava a ser bom para o meu corpo. Tive de tirar tempo para descansar mentalmente e fisicamente e espero que isto tenha sido apenas uma espécie de intervalo na minha carreira. Neste momento, estou nesse intervalo e ainda tenho muitos anos bons no futuro. Claro que tenho saudades de muita coisa do ténis, como a sensação de ganhar e os adeptos, mas também existem coisas de que não sinto falta”, explicou o tenista austríaco ao Observador, numa entrevista intermediada pela Eurosport.

2020 US Open - Day 14

O tenista austríaco conquistou o US Open no ano passado ao derrotar Alexander Zverev na final, naquele que foi o primeiro Grand Slam que alcançou

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Na mesma conversa, Thiem falou precisamente sobre o regresso aos courts, que espera que aconteça logo no primeiro torneio de 2022. “Esse é o objetivo. A recuperação do pulso tem estado a correr bem. Tudo decorreu sem complicações por isso posso começar a treinar com raquete no final de outubro, o que é ideal. Mas ainda vou ter o gesso por mais duas semanas e meia. Espero que o possa tirar no final de setembro para começar a treinar o pulso”, explicou, revelando que tem assistido às partidas do US Open, o Grand Slam que ganhou na época passada ao derrotar Alexander Zverev na final, precisamente porque pretende voltar em breve.

“Normalmente, quando sou eliminado muito cedo num torneio ou quando estou lesionado, não gosto de ver os jogos. Mas agora tenho um plano claro para voltar no início de 2022. Tenho visto muito ténis, especialmente o US Open. Claro que é para apreciar e para relaxar, enquanto adepto a ver ótimo ténis, mas também é para pensar já nas táticas que vou aplicar contra estes tenistas. Para ver como diferentes tenistas reagem a diferentes situações”, atirou o austríaco de 28 anos.

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Sobre o US Open, que está a decorrer nos Estados Unidos e tem sido pautado pelas boas participações de jovens como Félix Auger-Aliassime ou Carlos Alcaraz na ausência de Roger Federer e Rafa Nadal, Thiem reconhece que ficou particularmente impressionado com o espanhol de apenas 18 anos. “O Stefanos [Tsitsipas], o Félix [Auger-Aliassime] e o Sascha [Zverev] tem sido de classe mundial nos últimos dois ou três anos mas tenho gostado mesmo do Carlos Alcaraz, fiquei mesmo impressionado com ele neste torneio. O jogo dele contra o Tsitsipas foi tão entusiasmante. Acho que foi um dos melhores jogos do ano inteiro e do ano anterior também. O ténis masculino, assim como o ténis feminino, está em boas mãos nos próximos anos. Durante muitos anos falavam de mim como ‘a próxima geração’, mesmo quando já tinha 26 anos, mas estou feliz por já não dizerem isso. Estou feliz por ver estas novas caras. Pessoalmente, mal posso esperar por enfrentá-los pela primeira vez”, garantiu o tenista.

Ora, depois de Emma Raducanu ter derrotado Leylah Fernandez na final feminina para se tornar a primeira qualifier a ganhar um Grand Slam, a final masculina do US Open decorre este domingo à noite. Novak Djokovic vai enfrentar Daniil Medvedev e procurar o quarto Grand Slam da temporada depois de já ter vencido na Austrália, em Roland Garros e em Wimbledon e de só ter falhado a medalha de ouro olímpica em Tóquio. Para Dominic Thiem, o sérvio está sob “uma enorme pressão”.

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“É algo que nenhum de nós consegue imaginar. Ganhar um Grand Slam já é um esforço enorme e uma grande pressão, um Grand Slam de calendário é único e eu nem sequer era nascido na última vez em que aconteceu no ténis masculino. Isso só mostra o feito que é. Ele é o favorito e é o único que já ganhou um Grand Slam [Medvedev já foi a duas finais mas nunca ganhou]. Tem este objetivo na cabeça e vai fazer tudo o que puder para o alcançar. Gostava de estar no lugar dele e experienciar tudo isto mas preferia estar no meu lugar para o impedir de o fazer. Mas, de qualquer forma, ou vemos um ótimo jovem jogador a ganhar o seu primeiro Grand Slam ou vemos absoluta história. Neste momento, o mais provável é que vamos testemunhar história que nunca vamos voltar a ver nas nossas vidas. É a oportunidade do século e devemos estar gratos por isso”, defendeu o tenista, que terminou com a ideia de que o dia 13 de setembro de 2020, quando ganhou o US Open, será sempre “um dos mais importantes” da sua vida.